• Clio Operária

Uma Breve Análise da Sociedade Brasileira Excludente

Robson J. Almeida*


Boa parte da sociedade brasileira é conservadora, segue e consome os costumes tradicionais cristãos, tais costumes tem a intenção de aflorar a empatia e solidariedade, claro que isso é na teoria, pois na prática veremos que pouco disso acontece. O Brasil é um país diversificado em culturas e recheado de etnias, muito por conta da sua história de colonização, exploração e de abrigo para os refugiados em tempos de guerras, com esse histórico o Brasil têm vários“choques”culturais, seria esse um grande aspecto positivo na sociedade brasileira, mas não é isso que acontece, alias é bem longe disso.


Boa parte da sociedade brasileira é conservadora, segue e consome os costumes tradicionais cristãos, tais costumes tem a intenção de aflorar a empatia e solidariedade, claro que isso é na teoria, pois na prática veremos que pouco disso acontece. O Brasil é um país diversificado em culturas e recheado de etnias, muito por conta da sua história de colonização, exploração e de abrigo para os refugiados em tempos de guerras, com esse histórico o Brasil têm vários “choques” culturais, seria esse um grande aspecto positivo na sociedade brasileira, mas não é isso que acontece, alias é bem longe disso.


“Inserido no contexto internacional e complexo das migrações, o Brasil passou a receber, a partir de 2010, de forma crescente e num cenário migratório que se estende até a atualidade, refugiados e imigrantes em elevado grau de vulnerabilidade. No período compreendido entre 2010 e 2015, as solicitações de refúgio aumentaram 2.868% no Brasil e passaram de 966 em 2010 para 28.670 em 2015.”


Temos um preconceito velado e enrustido, a classe dominante branca e frágil, o propaga através de causas que tornam o preconceito um ato de normalização e de moralidade civil.

É rotina vermos nos noticiários matérias relacionadas a todo tipo de preconceito, essa onda aterrorizante vem crescendo ano após ano. Relatos de pessoas sendo perseguidas, espancadas e até sendo mortas, se tornou habitual, conviver com tanta brutalidade, infelizmente vendo pouco sendo feito, ainda mais com esse governo que legaliza tais atos deploráveis, e ainda por cima banaliza as instituições que tentam proteger esses grupos perseguidos.


A xenofobia vem crescendo junto com a forte onda conservadora, com viés ideológico de extrema-direita que assola o país nesses últimos anos, pura coincidência? Talvez… Mas o fato é que pessoas estão sofrendo, por essa mentalidade doentia que não as fazem pertencer ao ciclo social denominado como correto a ser seguido.


Vivemos em uma sociedade que se diz acolhedora; sem racismo e preconceitos, mas em território brasileiro o que mais cresce são números negativos de exclusão de grupos que pertencem a outras etnias e culturas.


“Em janeiro de 2018, a Secretaria Especial de Direitos Humanos apresentou um relatório com dados sobre as denúncias de violações de direitos humanos realizadas em 2015. Com esse levantamento, constatou-se que houve um crescimento de 633% das denúncias de xenofobia no Brasil em comparação com 2014.”


A epidemia crescente do recente coronavírus (COVID-19), que se iniciou na cidade de Wuhan, na China, não tem trazido somente pânico no que se refere ao campo da saúde. A doença que se espalhou em território chinês e agora já tem casos confirmados em 51 países até o presente momento, tem trazido outra terrível consequência: O racismo. Casos de xenofobia estão ocorrendo com pessoas asiáticas, com o fervor do coronavírus e a falta de informação, ocorre uma perseguição sem precedentes aos povos asiáticos, atacando sua cultura, seu hábito alimentar, que acarreta a exclusão dessas pessoas no ciclo social. A disseminação de fake news sobre a epidemia só aumenta a discriminação racial. Apesar dos ares de novidade, a disseminação de declarações racistas é antiga e atualiza preconceitos associados à Ásia, principalmente aos países do Leste Asiático (China, Coreias e Japão, por exemplo) — os estigmatizados “olhos puxados”.



Um artista chinês iniciou uma hashtag que tem como foco lutar contra o preconceito e xenofobia contra os asiáticos, despertado pela epidemia de coronavírus. Fonte: https://www.hypeness.com.br/wp-content/uploads/2020/02/corona-virus-700.jpg
“No Brasil, onde 0,47% da população se declaram amarela, segundo dados do IBGE de 2015, o novo vírus explicitou a discriminação racial contra asiáticos no país — um fenômeno velado e pouco discutido”.


“Você não é chinês, né? Não quero pegar coronavírus”. Foi à pergunta lançada a Leonardo Yamaguti, que trabalha em uma loja de produtos eletrônicos, em Campo Grande (MS).


“Uso de máscaras cirúrgicas; utilização apenas do elevador privativo; e higienização das mãos com álcool gel foram às condições impostas pelo Edifício Berrini 550, um condomínio empresarial na zona sul de São Paulo, para permitir a entrada de chineses”.

Comunicado Fixado nos elevadores do prédio do edifício berrini 550. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/02/edificio-comercial-em-sp-exigiu-que-chineses-usassem-apenas-elevador-de-servico.shtml

“Sua chinesa porca, fica espalhando doença para todos nós”. “Ela falou isso porque o assunto está em evidência, toda hora se fala do coronavírus. As pessoas acham qualquer tipo de desculpa para justificar o racismo delas e procuram justificativas para mostrar o ódio em público. Ela falava aquilo e olhava para os lados para ver se conseguia a adesão de alguém”. Disse a estudante Marie Okabayashi, após as palavras dirigidas a ela.


Imigrantes asiáticos (principalmente japoneses) foram historicamente enquadrados num modelo de “embranquecimento” no país, paulatinamente, esse contexto de episódios de preconceito contra asiáticos muitas vezes são minimizados. Mas, como ilustram os relatos recentes de discursos de ódio, não é “mimimi”, é discriminação racial, sim.


Estigmatizados como sujos e selvagens, que comem de tudo, o povo asiático luta perante esses ataques massivos em uma época que a verdade não é o bastante, isso não é novo no Brasil, nem raro, passa despercebido por conta da integração dessas minorias à elite branca brasileira. Mas, inevitavelmente, elas são lembradas que nem toda diferença é tolerada.



“Os chamados ‘mercados molhados’ viram símbolo da estigmatização de hábitos alimentares chineses, apontam cientistas sociais; na foto, se vê um mercado em Pequim” fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-51305487

Há uma legalização moral de todo esse preconceito que começa com o atual presidente do Brasil, que deixa claro em suas declarações, de forma enfadonha, grosseira e estupida, quando se refere a pessoas asiáticas.


A jornalista Thaís Oyama, autora de uma publicação sobre o primeiro ano do governo Bolsonaro. “Esse é o livro dessa japonesa, que eu não sei o que faz no Brasil, que faz agora contra o governo, Lá no Japão ela ia morrer de fome com jornalismo, escrevendo livro”. Disse o atual presidente da republica. Detalhe: ela nasceu em Mogi das Cruzes (SP).



Jair Messias Bolsonaro — Atual presidente da republica do Brasil. Fonte: https://f.i.uol.com.br/fotografia/2018/03/03/15201081705a9b028aa0f29_1520108170_3x2_md.jpg
“Para estudiosos do tema, integrantes da comunidade e advogados consultados pela Folha de S. Paulo, “as expressões de Bolsonaro sobre a autora embutem racismo e xenofobia e se somam a outras vezes em que o presidente recorreu a estereótipos e fez comentários sobre características físicas da etnia”. “Segundo eles, a situação poderia ser classificada como injúria racial. A jornalista, no entanto, disse que não irá processar Bolsonaro”.


O mais agravante é que boa parte da população ainda ameniza tais declarações, se há uma normalização de um ato deplorável do sujeito que ocupa o maior cargo político do Brasil, então o cidadão comum vê que esse comportamento é aceitável em qualquer camada social, se houver críticas, logo serão contestadas e escrachadas, infelizmente é o que vem acontecendo. Além de todo esse problema estrutural na sociedade brasileira, os que deviam dar o devido exemplo de cidadania, são os que hoje disseminam o ódio e preconceito, contra as denominadas “minorias de classes”.


"Passageiros em aeroporto de Cingapura”. Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-51305487
“Para cientistas sociais que vêm estudando especificamente a contaminação de questões de saúde por preconceitos culturais, o episódio do novo coronavírus não é novo: é uma atualização de antigos preconceitos associados à China e à Ásia que já apareceram desde em uma epidemia de peste bubônica no século 19 ao surto mundial da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) no início dos anos 2000.”

Não é novidade que na história do século XIX e XX o rechaço a quem é diferente em seus hábitos e vestimentas conduzam o estrangeiro a uma posição de sub-cidadania e uma constante cobrança de contribuição ao país que o recebe.

O caso dos asiáticos no Brasil. Falar sobre essa exclusão desses grupos não é novidade, a formação da estrutura da cidadania brasileira vem sendo direcionada ao preconceito, com péssimos exemplos na política que reflete nas massas populares, onde a injúria racial é aceitável. “Essa estrutura de classes engloba e organiza todo o povo operando como um sistema autoperpetuante da ordem social vigente” (Ribeiro, 1995, O Povo Brasileiro).


O atual momento de preconceito e ódio exacerbados mostram reflexos de como a sociedade brasileira está doente, e causas de proporções mundiais, como exemplo do coronavírus, que nos mostram as verdadeiras características do cidadão brasileiro. Devemos salientar que os primeiros casos do novo vírus que foram registrados no Brasil, não são de pessoas asiáticas e essas respectivas pessoas não vieram de países do leste asiático, são pessoas que vieram da Europa. Podemos observar em momentos como esse, a real face do “cidadão de bem”, que ao invés de ajudar o mais necessitado e dar apoio ao próximo, prefere julgar e exclui-lo.


Para direcionar o Brasil em um rumo melhor, devemos reeducar a população, aceitar os costumes que não fazem parte da cultura do país, conhecer o que julgam como “diferente”. Respeitar o próximo, colocar em prática a solidariedade aos mais necessitados, dar apoio aos grupos que ajudam os mais perseguidos pela intolerância, se impor e não aceitar qualquer tipo de preconceito, independentemente da camada social que vier. Talvez com tudo isso sendo praticado, o Brasil melhore e deixará de ser uma sociedade excludente.


*Robson J. Almeida é Historiador, escritor e sempre ávido por transmitir conhecimento.


Referencias:


https://catracalivre.com.br/cidadania/bolsonaro-revolta-comunidade-japonesa-no-brasil-apos-fala-racista/


https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/02/12/eunaosouumvirus-ameaca-de-pandemia-dispara-racismo-contra-amarelos.htm


https://www.bbc.com/portuguese/geral-51305487


https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2020/02/02/surto-de-coronavirus-lembra-racismo-e-xenofobia-contra-orientais-no-brasil.htm


Referencia bibliográfica:


Ribeiro, Darcy. O Povo Brasileiro — A formação e o sentido do Brasil. 1995

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