• marciopauloas96

Pela memória de Cheikh Anta Diop



Cheikh Anta diop, deveria ser estudado por todas as áreas do conhecimento, pela sua intelectualidade, estudos sobre raça, pela sua formação política. Originário de Senegal, ele foi historiador, antropólogo, físico, químico e político que estudou as origens da raça humana e as matrizes da cultura africana antes da colonização. Senão o primeiro, Diop certamente foi um dos percussores do que é costumeiro chamar de “Afrocentrismo”. De maneira ampla, trata-se de abordagem cujo significado é colocar o continente africano no centro de tudo.


Diferente da maioria das pessoas que nasceram na década de 1930 no continente africano, Cheikh Diop veio de uma família com condições melhores de vida, o que possibilitou a ele estudos de qualidade e a possibilidade de aprofundar os seus estudos no continente europeu, mais especificamente, em Paris. Partindo para estudar Física, tendo trabalho relevante no campo onde traduziu parte da teoria da relatividade de Einstein para seu idioma nativo, a língua uólofe. Pouco conteúdo encontra-se sobre os estudos do autor, mas sabe-se que depois de ter se formado em Física, ele passou por volta de quinze anos na capital francesa e estudou História, Antropologia, Química, Egiptologia, Economia e Linguística.


Em 1951, Cheikh Diop apresenta sua tese de doutorado na Universidade de Paris, na qual defende sua tese que o Egito Antigo do qual havia conhecimento nos anos 30, teria tido uma cultura negra na sua matriz, sua tese foi rejeitada logo de cara, por nove anos, Cheikh Diop acumulou e trabalhou em diversas provas, para enfim no ano de 1960, até ser aprovado e obter o nível de doutor.


Depois dos quinze anos em Paris, o intelectual senegalês, agora doutor, retornou para seu país de origem e manteve sistematicamente seus estudos sobre a matriz africana no Egito. Atualmente, a Universidade de Dakar, atualmente Universidade Cheikh Anta Diop, desenvolveu um laboratório de rádio carbono para esmiuçar ainda mais sua tese com o uso dessa tecnologia, pela qual o ele analisava a melanina nas múmias egípcias. Essa técnica qual anos depois passou a ser utilizada por autoridades para verificar vítimas que foram machucadas em casos de violência.


Cheikh Diop não só pensou na África do seu tempo, mas também pensou no que viria para gerações posteriores. Por isso, foi fundador de partidos políticos populares, participou de movimentos estudantis na década de 60, foi apoiador do multipartidarismo em Senegal, tendo pedido aos africanos para se unirem política, cultura e economia.


O seu trabalho é um dos primeiros passos para derrubada dos ideais etnocêntricos e racistas impostos pelos colonialismos europeus, mostrando a história dos esquecidos da forma como deve ser contada. Seus trabalhos encontram-se na internet de maneira fácil, porém nem sempre na nossa língua portuguesa. Entretanto, existe uma coleção de livros patrocinada pela Unesco que reúne diversos textos de autores africanos sobre a História da África, intitulado de " História Geral da África", publicados entre 1964 e 1999, o qual é possível encontrar devido às suas publicações no nosso idioma.


Esse texto tem o intuito de rememorar um grande pensador do nosso planeta para que não caia no esquecimento, o qual desenvolveu teses para que a cultura africana. Cheikh Diop hoje já não é citado como fora em faculdades das ciências humanas, devido ao tempo passado e seus contemporâneos terem aperfeiçoado as suas teses e terem desenvolvido outras, de certa forma. Mas é importante notar que Cheik Diop demonstrou como não é plausível esquecer as raízes e de maneira científica comprovou que qualquer nação do mundo tem sua origem no continente africano, além de ter mostrado que, independentemente do que os colonizadores possam ter feito para apagar da história a luta do homem preto, existem formas racionais e científicas de entregar a versão da história dos silenciados.



Márcio Paulo é historiador, pós-graduado em Filosofia e colunista da revista Clio Operária.


Bibliografia


https://www.dw.com/pt-002/cheikh-anta-diop-e-a-hist%C3%B3ria-de-%C3%A1frica-sem-preconceitos/a-42767658


https://www.geledes.org.br/cheikh-anta-diop-derrubou-o-racismo-cientifico-ao-provar-que-o-egito-antigo-era-uma-civilizacao-negra/


https://periodicos.ufsm.br/voluntas/article/view/39889/html


https://filosofiaafricana.weebly.com/uploads/1/3/2/1/13213792/jorge__henrique_almeida_de_jesus_-_cheikh_anta_diop_fil%C3%B3sofo_da_hist%C3%B3ria.pdf


32 visualizações
apoie.png