• Giovanna Garcia Cobellis

Pancho Villa - 143 anos de lutas e memórias populares


Pancho Villa em um acampamento de insurgentes.


O século XX foi sem dúvidas o palco de grandes mudanças para a América Latina. O continente que carregava – e ainda carrega – as marcas da violência e do genocídio contra os povos nativos e da escravização, agora lidavam com as formas de opressão e submissão modernas, armas do capitalismo e do neoliberalismo (este se afirmaria no contexto da Guerra Fria). O passado sombrio e a então nova realidade devastadora moldariam o espírito de união latina que levaria, país a país, a estruturarem suas próprias revoluções. Fato é, que antes deste cenário e até mesmo da era da Guerra Total (I Guerra Mundial), o povo mexicano já constituíra aquela que seria uma das revoluções mais conhecidas do mundo e também uma das mais complexas em extensão e fatos: A Revolução Mexicana.


Tierra y Libertad, o lema da Revolução.

México, 1910. A ditadura porfirista já durava mais de três décadas (desde 1876), sustentada por processos de fraudes eleitorais, por uma elite latifundiária que detinha o poder de expropriação de terras campesinas (que já vinham sendo tomadas do povo desde o período colonial espanhol) e por uma influência política, econômica e cultural estrangeira que colocava o povo mexicano às margens de um governo fortemente explorador que existia para poucos, ou seja, para as elites e é com este sentimento de desamparo e de ausência de liberdade democrática que os movimentos campesinos e de nativos se constituíram, na necessidade e urgência de viver. O levante popular que formaria grupos armados e lutariam frente a frente com as tropas do governo e com seus apoiadores, organizava-se lado a lado com uma série de lideranças revolucionárias camponesas de norte a sul do país, sendo José Doroteo Arango Arámbula uma das mais conhecidas, o Pancho Villa.

Nascido em 5 de junho de 1878, Villa foi a maior força camponesa do norte do México, sendo uma figura muito conhecida e popular entre os camponeses da região, principalmente em Chihuahua e Durango (hoje estados mexicanos). O valor de sua liderança durante a Revolução Mexicana e em todas as batalhas que lutou (quase todas vencidas) contra os governos que se estabeleceram durante tal período, somadas a luta na preservação dos valores culturais mexicanos e pela reforma agrária em todo o país fizeram e fazem de Pancho Villa um herói do povo mexicano. Mesmo passados 120 da Revolução, que chegou ao fim no período de sua morte, que se deu em uma emboscada em 20 de julho de 1923, sendo alvejado por 47 balas de pistola e com a perseguição e morte de outras lideranças camponesas.

A América Latina continua interligada por suas veias e de tempos e tempos, efervescem no povo de cada país latino o desejo e o poder de mudar a realidade cruel em que vivemos com as próprias mãos.



Giovanna Cobellis é Historiadora, pesquisadora sobre Violência do Estado, História das Mulheres e pós graduanda em História das Religiões pela Universidade Cidade de São Paulo. É colunista da Revista Clio Operária e do site Taverna do Bloch.



Bibliografia

BARBOSA, Carlos Alberto Sampaio. A Revolução Mexicana. São Paulo: Editora UNESP, 2010.

COCKCROFT, James D. A revolução mexicana: cem anos depois. Revista Espaço Acadêmico, Nº 144, novembro, 2010.

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