Os invisíveis da sociedade brasileira

A normalização em aceitar que pessoas morem na rua é algo que se passa por aceitável em nossa sociedade. Porém, é assombroso sermos coniventes a tal circunstância, ao ver um ser humano viver em uma condição tão deplorável, mas, o que nos leva a essa aceitação perante a essa realidade cruel?

Somos conduzidos, pelo sistema que vivemos, a sermos passivos a essa questão de desigualdade social, que é apenas um dos sintomas que o Estado causa em nós cidadãos.

Uma moradia digna, para cada cidadão, era assim que o Estado deveria pensar em uma sociedade de equidade, mas ele prefere ser o agente causador da desigualdade social, mantendo a classe dominante a ditar esse pensamento de normalização sobre pessoas morando na rua.


A marginalização que os moradores de rua sofrem, é estigmatiza, aflorando assim o preconceito. Fonte: https://imagens.socialistamorena.com.br/wp-content/uploads/2015/10/maneco4.jpg / Foto: Maneco Magnesio.



São Paulo, a maior cidade da América do Sul, tinha quase 19 mil pessoas morando na rua, de acordo com o censo feito pela Fipe/USP entre fevereiro e março do ano de 2018.


“Estima-se que hoje, na capital paulista, existam entre 20 mil a 25 mil moradores de rua e 3% deles são crianças”.
Enquanto a população de São Paulo cresce, em média, 0,7% ao ano, o número de moradores de rua aumenta 4,1%”.

A condição de uma pessoa morar na rua é a maior expressão de pobreza urbana e desigualdade social em um país. Enquanto a sociedade apenas se comove, mas não se move, o sistema regido pela classe dominante relativiza a condição de ter uma moradia digna, deixando essas pessoas nessas condições sub-humanas.

“Por que olhar para os sem-teto perturba tanto? Tristeza? Culpa? Medo? Desprezo? Nojo? Ou é algo mais profundo, que tem a ver com valores e a real importância do dinheiro na vida da gente?”


Somos conduzidos a não enxergar e aceitar essa desigualdade social que paira em nossa sociedade. Fonte: https://saudeglobaldotorg1.files.wordpress.com/2017/07/imagem11.png?w=812


Devemos parar de aceitar a normalização da situação de pobreza, nos colocando no lugar do outro. Ninguém deseja ser um morador de rua, as pessoas são levadas a essas circunstâncias por fatores onde o Estado é o principal causador, pois transforma essas pessoas em seres invisíveis.


Preciso ressaltar que os moradores de rua têm os mesmos direitos constitucionais que nós, que possuímos um lar! Mas para o Estado eles não são cidadãos, sendo deixados à margem da sociedade e assim sofrem silenciosamente.


Fonte: https://imagens.socialistamorena.com.br/wp-content/uploads/2015/10/maneco3.jpg / foto: Foto: Maneco Magnesio.


“Brasileiros que acorda cedo, antes mesmo do sol aparecer. Têm longas jornadas de trabalho e exercem atividades muitas vezes exaustivas. A diferença é que enquanto as maiorias dos trabalhadores brasileiros voltam no final do dia para suas casas, eles buscam nas marquises, um teto para protegê-los do frio, da chuva, ou mesmo dos ataques inesperados de pedestres, policiais ou companheiros de rua”.

E você, o que faz quando vê um morador de rua?




Robson J. Almeida é historiador e membro da revista Clio Operária.



Referências:

https://saopaulosao.com.br/colunistas/1335-moradores-de-rua-t%C3%A3o-paulistas-quanto-voc%C3%AA.html


https://www.camara.leg.br/radio/programas/337385-moradores-de-rua---as-acoes-do-governo-para-minimizar-problemas-enfrentados-pelo-grupo--6-31---



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