• williamspoiato

Núcleos de combate as opressões por local de trabalho?


Esta semana nos deparamos com algo diferente, os comunistas inovaram ao pedir o obvio: Núcleos eleitos de combate as opressões por local de trabalho.


No mesmo período onde os defensores do movimento negro fazem propaganda para os aplicativos (na semana que os majoritariamente negros organizavam uma greve nacional- o breque dos apps); Os representantes do movimento LGBT ainda se debatiam ou se maravilhavam com a Parada virtual (dos bancos) e o movimento feminista tinha de conviver (e combater) novamente o tal “Mulheres com Bolsonaro” como em Rio Preto; em São Paulo, capital, os comunistas faziam o lançamento de uma plataforma eleitoral em uma pré-candidatura. Algo importante foi dito ali que no momento não teve o destaque merecido, mas ecoou no ouvido dos presentes e gerou um burburinho.


Não é de agora que se debate a natureza dos movimentos anti-opressões, especialmente o movimento negro, LGBT e Feminista. Seriam eles movimentos essenciais à luta de classes em nosso atual estágio de desenvolvimento do capitalismo, meros penduricalhos reformistas ou armas liberais de dispersão da esquerda?


Aquele que se pergunta sobre isso não conhece nem a dialética nem a natureza de uma reivindicação. Dialéticamente, o próprio fato de existirem estes movimentos são indícios que existem contradições internas na sociedade burguesa brasileira que se manifestam em forma de opressão contra seus seguimentos. É sabido também que em seu conteúdo, cada uma destas opressões (machismo, racismo, homofobia) é funcional ao capitalismo, é parte inalienável deste, que não abriu mão destes em seu meio milênio de existência.


Porém, quando partimos ao campo das reivindicações, podemos dizer que cada um destes movimentos é simultaneamente revolucionário, reformista e uma arma liberal; tudo depende da linha teórica-política e essencialmente o conjunto de reivindicações que o movimento e suas frações carregam.


Desta forma, empurrar o movimento para ares revolucionários passa por ganhar influência, escolher as palavras de ordem corretas, mas também, em um nível profundo, elaborar assertivamente suas reivindicações. Aproveitar ao máximo a brecha entre o momento que uma imposição coletiva tem potencial revolucionário e quando é engolida pela lógica do capital.


Uma instituição social desta natureza é a CIPA (Comissão Interna de Acidentes do Trabalho), surgida no séc. XVIII como imposição das trade unions pelo mundo, foi conquistada pelo movimento operário brasileiro apenas em 1943, diante do fortalecimento operário e da vitória da CLT. São Comissões internas, eleitas pelos trabalhadores que visam (a partir de regulamentação específica) ampliar a segurança do conjunto de trabalhadores. Para garantir que a CIPA possa trabalhar sem interferência do patronato, eles ganham estabilidade de 2 anos no emprego. A CIPA foi uma reivindicação revolucionária em algum momento dos anos 1930, pois apesar de viável e desejável aos trabalhadores, se mostrava intangível diante da inflexibilidade do patronato, isso ampliava seu poder de mobilização. Quando em 1943 a burguesia cede uma série de direitos aos trabalhadores e entre eles a CIPA a mesma perde seu valor revolucionário, sendo por vezes reformista.


O que vimos nesta simples proposta dos paulistanos têm hoje um potencial revolucionário, se ampliado para além do poder municipal, vamos tentar descobrir o motivo lendo abaixo:


“Núcleos eleitos de combate ao machismo, racismo e homofobia por local de trabalho: Em todos os estabelecimentos públicos municipais existirá a eleição, no mesmo modelo do CIPA, de núcleos de combate ao Machismo. Racismo e Homofobia. A prática também será incentivada nas empresas privadas e obrigatória aos prestadores de serviço à prefeitura”.


Ao deslocar os ditos “movimentos identitários” para dentro do local de trabalho, oferecendo estabilidade para que estes trabalhadores invistam tempo em sua auto-educação coletiva, estamos deslocando a suas pautas, que são contraditórias à ordem, para o centro de sua contradição (o local de trabalho e a contradição de classe) transformando esta proposta em mais pólvora para o barril explosivo da luta de classes brasileiras, e sabe o que irá potencializar ainda mais seu poder? Os capitalistas nunca iriam ceder de primeira, dando maior potência e alargando o tempo que esta imposição coletiva se propõe revolucionária.


Por núcleos eleitos de combate as opressões por local de trabalho!

Pela democracia operária! Dica: Leia a cartilha do Cipeiro

http://unidadeclassista.org.br/download-cartilhas/

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