Lixo: O luxo para muitos


Fonte: http://www.sermelhor.com/images/artigos/pawelkuczynky/pawel-kuczynky-26.jpg


“No Brasil são descartadas 15 milhões de toneladas (de comida) por ano, o que alimentaria toda a população brasileira por 47 dias”.


“No mundo todo cerca de 1,3 bilhão de toneladas de comida são descartadas por ano, enquanto quase 800 milhões de pessoas passam fome”.


Vivemos em uma sociedade acostumada a consumir em escalas excessivas, levando a um desperdício desproporcional em vários aspectos. Um desses são os alimentos.


A nossa sociedade foi educada de maneira errada com relação ao consumo de alimentos e está claro que desperdiçamos uma alta quantidade, sendo assim, somos condicionados a sermos consumistas, nos levando á um grande índice de desigualdade social.


As altas quantidades de mantimentos produzidos em escala industrial nos mostram como a comida é, mais do que nunca, um comercio que escancara a desigualdade social. Pois, os que têm condições compram e se alimentam, enquanto os que não têm, ficam com as sobras nos lixos.

“Não obstante, com o aumento populacional nas áreas urbanas, muitas pessoas, com baixíssimas condições econômicas, não possuíram outra escolha, a não ser a fixação em locais precários, já que não conseguiram trabalho”.



Vídeo: "Ilha das Flores", o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades.

Narração de Paulo José.

Diretor: Jorge Furtado.

Ano: 1989.


“Assim, surgiu uma população marginal, em sua maioria desqualificada profissionalmente e com inacesso a diversos direitos como a saúde, uma boa moradia e a alimentação adequada, sendo que a única opção para essas pessoas foi buscar na informalidade uma alternativa para sua sobrevivência, como é o caso dos catadores de lixo, em que o aumento desenfreado de resíduos urbanos, juntamente com a existência de uma população sem espaço na sociedade consumista, fez com que essas pessoas vissem nesse setor uma oportunidade para trabalhar, ou seja, uma estratégia de sobrevivência para tais grupos”.

O que denominamos como lixo, para outras pessoas é aproveitável e consumível, isso nos mostra a mais real e profunda desigualdade social no Brasil, onde as pessoas sobrevivem do lixo como forma de alimentação.

“De acordo com a FAO Brasil, órgão das Organizações das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, 28% dos alimentos se perdem no processo de produção agrícola e mais 28% são jogados no lixo após chegarem às casas dos consumidores. Por aqui, 60% do lixo doméstico é resto de comida, que poderia ser aproveitada.”


O capitalismo ajuda a fomentar esse terrível cenário, regido pela classe dominante, onde não há importância por quem está passando fome, há apenas o interesse do lucro. As grandes empresas, patrocinadas pelas elites, fazem uso dos mantimentos como ferramenta de apropriação e comercio, pensando assim no interesse econômico que esses alimentos produzidos irão ter. Deixando claro que quando há uma alta produção de determinado alimento, ele é descartado cladestinamente, para que o seu valor seja restaurado e assim vendido.


Houve a dispersão de empresas transnacionais pelo mundo e essas incentivaram o consumo em massa, lançando produtos e atrativos aos consumidores, no sistema capitalista o maior objetivo é o lucro e, diante desse fato, os donos dos meios de produção colocam um arsenal de novidades no mercado, mas todas as mercadorias dispostas para o consumidor requerem a retirada de recursos da natureza e também produzem resíduos”.


É uma prática realizada com assiduidade, no qual podemos analisar a real intenção dos capitalistas, que está no lucro que vão obter, deixando de lado a devastadora fome que assola o Brasil e o mundo.


Em sociedades capitalistas como a que vivemos as relações sociais, ao serem desiguais, são antagônicas. Isso quer dizer que há exploradores e explorados, dominadores e dominados. Nesse sentido, falo de divisão em classes. Parece-me que a ideia de antagonismo permite uma concepção não substancialista da ideia de classe. Aplicar este conceito ao tecido social do lixo nos permite conceber uma rede de “lixadores” e “lixados”. Ou, mais amplamente, desde o ponto de vista ambiental, podemos falar de contaminadores e contaminados. Por “lixeirização” me refiro ao trato das pessoas ou dos objetos como se fossem lixo, como se não tivessem nenhum valor positivo”.


Há uma normalização no desperdício de alimentos por parte da nossa sociedade, que pouco faz para mudar tal realidade. Essa profunda falta de empatia e de conscientização se reflete nas camadas sociais, desenfreando essa desigualdade que está predominante na vida de boa parte da população brasileira.

Sabemos dessa terrível realidade, mas, mesmo assim não encontramos uma solução para melhorar esse cenário, alias, é algo que aparentemente está silenciado em nosso subconsciente. Por mais que saibamos que o consumismo e o desperdício são errados, cometemos esse erro no dia-a-dia.


Uma alimentação digna para todos, jamais deveria ser privilégio!


Robson é historiador e membro da Revista Clio Operária.



Referências:

https://outraspalavras.net/outrasmidias/lixeirizacao-da-humanidade/

https://emais.estadao.com.br/blogs/comida-de-verdade/60-do-lixo-domestico-e-resto-de-comida-reduza-o-desperdicio-na-sua-casa/

https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/o-lixo.htm


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