• Giovanna Garcia Cobellis

IBGE e o corte orçamentário – um risco à cidadania



Criado no início da década de 1930, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE sempre foi referência quando o assunto é análise, consolidação e disseminação de informações e estatísticas. Comprometido com o levantamento de dados de forma transparente e acessível, o IBGE como entidade de administração pública federal vinculada ao Ministério da Economia abrange um compilado de vertentes que compõe, de tempos em tempos via operação censitária a cada 10 anos), o retrato fidedigno de cada estado brasileiro e de todo o país, a partir de informações ambientais, geográficas, cartográficas e estatísticas sociais e econômicas, como escolarização, analfabetismo, mortalidade infantil, PIB, serviços de infraestrutura básica etc.

Hoje, o principal provedor de dados e informações empíricas do Brasil sofre com o brutal corte de investimentos federais anunciados no último dia 26 durante a discussão da Lei Orçamentária Anual – LOA, que previu um corte de cerca de 90% em investimentos ao instituto, que já vinha trabalhando com uma verba já reduzida, tornando totalmente inviáveis as pesquisas sobre a população brasileira em 2021.

Em um momento de pandemia, em que o país vive uma realidade nunca antes imaginada, corremos o risco de ter os problemas decorrentes a longo prazo desta situação totalmente velado, para não dizer encobertos e rejeitados. Já no ano passado, o trabalho do IBGE havia sido paralisado por conta dos riscos de contágio e disseminação da Covid-19 e para este ano, mesmo em um futuro cenário de vacinação e diminuição dos casos da doença, o corte orçamentário já sentenciou que não será feito o trabalho de expor a realidade e de exercer a cidadania de forma saudável e ética como o IBGE atua.

Não é novidade que desde o golpe de 2016 os orçamentos direcionados para a pesquisa vêm sendo descaradamente desviados para amaciar os planos e interesses daqueles que estiveram e estão no poder. Em uma onda tóxica, onde dados e fatos são rejeitados socialmente por quem mostra ter orgulho de ser “burro”, a realidade não intimida e é justamente por essa situação que devemos zelar pelos órgãos e institutos que servem à população e ao bem comum, pois hoje mais do que nunca na história recente do Brasil, se faz necessário e urgente conhecer a realidade do país de forma concreta e expositiva.

Este é apenas um dos muitos indícios de que, com a atual gestão federal, estamos à beira de um mergulho em um futuro de trevas, mentiras e repressão. Vivemos um risco iminente à democracia! Veja nos cortes orçamentários das pesquisas, veja nas absurdas ações diárias deste governo genocida.



Giovanna Cobellis é Historiadora, pesquisadora sobre Violência do Estado, História das Mulheres e pós graduanda em História das Religiões pela Universidade Cidade de São Paulo. É colunista da Revista Clio Operária e do site Taverna do Bloch.



Referências

https://www.ibge.gov.br/pt/inicio.html

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