• Layana Sales

Frida e Pagu: a revolução tem rosto de mulher latino-americana.


Os episódios de agressão contra a mulher dessa semana nos remeteram muito a opressão da mulher. A questão apontada sobre a agressão à mulher dentro de suas próprias casas e seus próprios parceiros nos deu ainda mais forças para lutar contra a opressão dos homens como também, do capital. Compreender as questões que rodeiam a mulher também nos faz entender como o capitalismo afeta a vida de todas.

É possível compreender pela macro-sociedade latino-americana as mazelas que rondam as mulheres. Segundo o jornal El País, a America Latina é a região mais letal para mulheres no ocidente, sendo que, por dia, nove mulheres são assassinadas no continente. Mais ainda, quase metade dessas atrocidades aconteceram no Brasil, sendo que, em 2017, mil cento e trinta e três mulheres foram assassinadas por serem mulheres.


Mas, o que tem haver Pagu e Frida? Pagu e Frida foram vítimas da sociedade patriarcal, assim como outras centenas de Anas, Marias, Rebecas, Saras, Margaridas etc. Outro ponto em comum é que foram mulheres revolucionárias, que entendiam a questão das classes. Pagu, em Parque Industrial, relata sobre a falta de sensibilidade das “feministas” sufragistas com as mulheres pobres e trabalhadoras. Avalia a falta de coerência em lutar pelo voto e posteriormente esquecer as causas das classes, como se as únicas dignas de respeito fossem as mulheres de elite. Frida, em seu meio artístico faz a mesma crítica: quem são as merecedoras de compaixão e de direitos? Dentro de seus auto-retratos, abordava questões sobre a luta comunista, o trabalho e a separação de gêneros, mais ainda, ousava falar sobre a estética feminina, já quebrando os padrões de beleza.



Essa semana completamos 67 anos sem Frida Kahlo e no final do ano, ficaremos há 59 anos sem Pagu. Porém, os ensinamentos deixados por elas, sobre revolução, amor e feminismo não morreram com elas. Nós, mulheres latinas, não somos as netas da bruxas que esqueceram de queimar, somos filhas de Frida e Pagu, netas das mulheres indígenas que vocês esqueceram de catequizar. Então afirmo, a revolução não virá sem que mulheres tomem as rédeas, isso foi necessário em 1917 para a greve geral, foi necessário em 2018 para o #EleNão e

foi necessário em 2021 para o #ForaBolsonaro. A revolução tem rosto de mulher e só vocês, homens, não entenderam ainda. Viva Frida e Viva Pagu!

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