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Estrela Vermelha no terceiro mundo | Coluna Pagu

Bem vindo à Coluna Pagu, coluna mensal do Clube Pagu para a revista Clio Operária. A ideia desta coluna é comentar e auxiliar na leitura do livro do mês do Clube e ainda por cima debater um pouco sobre o Marxismo.

Conheçam o Clube Pagu: www.clubepagu.com.br No mês de Fevereiro os apoiadores do Clube Pagu receberam um combo Vijay Prashad, o tema, como não podia deixar de ser, foi a solidariedade proletária internacional. Incentivados pela máxima "Trabalhadores de todo mundo Uni-vos” os comunistas buscam construir desde sua origem um movimento global e uma análise totalizante de mundo que converge no combate à exploração do homem pelo homem no geral e ao imperialismo em particular. O livro escolhido foi “Estrela Vermelha sobre o terceiro mundo” publicado em 2019 pela expressão popular, é um resgate de um tema muito presente na segunda metade do século XX: O papel internacional da URSS no movimento dos trabalhadores e em seu avanço em direitos.

Vijay Prashad é um historiador, jornalista, comentador e intelectual marxista, membro do Partido Comunista da Índia (Leninista), é também diretor do Instituto de Pesquisa Social Tricontinental. Membro destacado no debate internacional sobre o Imperialismo e suas formas de ação.

O livro é dividido em doze capítulos. O primeiro debate se chama "túmulos orientais”, a partir de uma entrevista de Lenin aos jornalistas japoneses K. Fussa e Nakahira e lembra a boa impressão que Lenin causara não só para eles mas à todos os orientais e seu artigo “Europa atrasada, Ásia avançada” e apesar de dar ao ocidente a centralidade da revolução mundial, acreditava que o oriente estava na vanguarda naquele início de século XX.


Em seguida ele traz o “Outubro vermelho” a revolução soviética de 1917, frisa dois pontos importantes desta história, o papel das mulheres como estopim revolucionário e a necessidade de ultrapassar uma mera revolução burguesa, esta revolução, conhecida por jornais operários e malfadada pela mídia em geral animou o movimento em todo o planeta, era horizonte.


Como ele frisa em seu terceiro capítulo “Siga os passos dos russos” contam como da Índia se receberam as notícias da revolução soviética e que diferente de outros lugares seu exemplo não foi transformado em fórmula, mas em combustível de lutas, assim como animou as lutas na Inglaterra, Irlanda e foi reconhecida por outros estados em revolução como o México, inspirou diversos jovens como Mao Zedong, nem todos conheciam o socialismo, mas conheciam a mão forte do império, e se a URSS o enfrentava, eles estariam com ela!


Vijay segue com “Os pulmões da Rússia" relembrando o poema de Maples Arce., coloca a URSS como a vanguarda da arte e inspiração revolucionária, destes podemos listas Maiskovski, Ding Ling, Lun Xum., Hu Yepin, Shen Congwen, Nazrul Islam, Pablo Neruda, etc etc etc, estes Comunistas Fervorosos como chamava Lenin. No próximo momento o autor avalia “Os camponeses Soviéticos", inicia o texto com a polemica de Lenin sobre a noção que somente a luta sindical, mas que diversos caminhos deveriam encaminhar os trabalhadores à luta revolucionária e a união operário campesina entrou no movimento anticolonial com grande força, se aliando a realidade local. Além disso o extraordinário crescimento e transformação soviéticos mostraram como “sociedades camponesas" poderiam progredir, alfabetizar o povo, garantir saúde, educação, condições de trabalho em pouco tempo, bastava a revolução! Eram um farol ao mundo!


Ao se voltar para a "Ásia Soviética", pontuando inicialmente a dificuldade da substituição do sistema imperial pelo soviético, mas a noção básica de autodeterminação e soberania dentro da União inspiraram movimento de todo o mundo, do movimento negro dos EUA à África. A dificuldade foi compreender a linha de libertação nacional entre a diferença e o conflito de nacionalistas e comunistas - com resoluções diferentes na África, Ásia e Europa, algumas positivas, outras catastróficas ao movimento. A URSS e o Comiterm eram decididamente “Inimigos do Imperialismo, a dificuldade, aponta Prashad, foi compreender a linha de libertação nacional entre a diferença e o conflito de nacionalistas e comunistas - com resoluções diferentes na África, Ásia e Europa, algumas positivas, outras catastróficas ao movimento.

Entrando em um debate quente no Brasil, V. Prashad fala em “Marxismo Oriental” ele começa olhando a América, mais especificamente para Mariateghi e seu socialismo andino, que via como classe fundamental os agrupamentos indígenas, evolui para o indiano E. M. S. Namboodiripad e sua análise sobre as castas, a derrota das castas oprimidas na mão da supremacia Bramânica, e do poder patriarcal, iniciam a estagnação da sociedade Indiana, e seu fundamento de superação está ali, nas castas e nestes grupos oprimidos, como a sociedades de mulheres democráticas da Índia (AIDWA). A característica deste marxismo é a análise concreta da situação concreta e não o dogmatismo, que por vezes levaram a Comiterm o erro.






Em seguida o autor nos chama atenção no “Para ver o Alvorecer”, a partir da experiência do congresso de trabalhadores do Oriente do papel de luta que a mulher devia tomar até mesmo entre os comunistas [por mais que estes se esforçassem] especialmente da Genotdel da URSS. Uma líder destacada foi Naciye Harin, a falar neste congresso em defesa de seus pontos. Esta articulação resultou em uma congresso de mulheres e uma ação a partir do 8 de março de 1927 começa às manifestações no Uzbequistão que resultaram em ações diretas contra os costumes, 270 mulheres foram assassinadas por tirar o véu, outras tantas agredidas, mas a ação começa um longo processo de transformação de mentalidades na Ásia Central, estas organizações e lutas das mulheres culminaram na Federação Democrática Internacional de Mulheres (Fedim).


No capítulo seguinte, sobre o “Facismo Colonial” busca um tema também quente no Brasil, iniciando sua reflexão por Aimé Cesarire a equiparação da barbárie colonial ao fascismo e nazismo e como o primeiro foi combustível para atividades do segundo, que transferiu as mentalidades a práticas europeias na áfrica e oriente para dentro do território europeu. Vale citar também a luta antinazista soviética e a luta de Cuba e outros estados socialistas de se estabilizarem diante da agressão imperialista.


Em “Comunismo Policentrico” Vijay ajuda a lembrar como a crise da Hungria de 1958 e o Relatório Krushev de dois anos antes são um marco para pensarmos em um novo internacionalismo, policêntrico, não seguindo as necessidades e interesses da URSS como centro. O “Socialismo Africano” se afasta da URSS apesar de respeitá-la e o fortalecimento dos Não Alinhados até sua fundação oficial ganha força, no ocidente a crítica à URSS tornou-se usual e a propaganda liberal ganha espaço. vários partidos comunistas pelo mundo partem pára luta armada, ou são arrasados como o influente partido comunista da Indonésia (PKI) massacrado. O autor volta à um debate quente, A URSS e Stalin não eram aclamados pelos partidos do terceiro mundo pela sua política interna, mas pelo seu papel no auxílio da libertação nacional. Nestes anos o socialismo perdeu a centralidade.


Finaliza o livro com “Memórias do comunismo”, partindo da vitória dos comunistas em Bengala (India) em 1977 e a primeira experiência dele próprio com o Capital de Marx e como eles viam a URSS como exemplo. Ressalta que um dos problemas centrais da URSS foi, apesar de ter líder oriundos das classes populares, sido incapaz de exercer a democracia operária e as reformas que abriram brecha para contrarrevolução. Aponta para pensarmos que o capitalismo demorou dois séculos para amadurecer-se e com o socialismo não seria diferente.


Para imergir nos argumentos e casos levantados pelo autor somente lendo o livro. Quer receber livros como este? Conheça o Clube Pagu!


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