• Clio Operária

Eles não vão parar

Rafael Lopes*


Chargepor André Dahmer

O caos que se espalha no mundo devido ao COVID-19 chegou no Brasil. Os primeiros sintomas do caos foi o imediato aumento no preço do álcool em gel e de diversos outros itens, indispensáveis no nosso dia a dia, nos mercados e nas farmácias. O presidente disse que a situação era uma espécie de alarmismo, mas voltou atrás após diversos membros de sua comitiva contraírem o vírus. Suas palavras de perigo foram vazias, pois não foram acompanhadas de uma ação se quer para conter o vírus. Milhões de trabalhadores ainda pegam o transporte público lotado, ficando a mercê do vírus. Porém, para o presidente, se os trabalhadores ficarem em casa, a economia para, assumindo assim que somos nós, os trabalhadores, que edificamos a riqueza de poucos. Em nome do lucro, operadores de telemarketing são alocados em salas com 300, 400 pessoas mesmo com todos os órgãos competentes recomendando nenhuma forma de aglomeração. Quem tem aplicativos de entrega de comida no celular percebeu que todos estão com promoções e fretes grátis; claro, pois os entregadores continuam nas ruas, expostos ao vírus.


Atualmente a situação não é mais de “se” vai piorar, e sim de “quando” vai piorar. O ritmo de infectados pelo vírus cresce num ritmo superior aos da Itália e Espanha. E temos garantia que nosso governo não tem capacidade e nem interesse em diminuir os estragos da pandemia. Ao contrário do Estado Chinês, que conseguiu conter a propagação do vírus e já não se tem mais casos crescentes de contaminados por lá, o nosso Estado serve aos interesses da burguesia.


Após o Governo Federal ser duramente criticado ao anunciar uma espécie de auxilio de apenas 200 reais aos trabalhadores informais, Jair Bolsonaro e sua turma se viram encurralados pela pressão da população que se viu ridicularizada com a proposta de auxílio do Governo. Semanas depois, a bancada do PSOL junto aos demais partidos de esquerda e centro-esquerda que fazem oposição ao bolsonarismo, anunciaram a proposta da Renda Básica Emergencial. A Renda Básica é uma alternativa comum entre o campo reformista; ela já é realidade em algumas regiões ao redor do mundo, sendo nenhuma delas em países do chamado Terceiro Mundo. Um dos principais defensores da Renda Básica é o petista Eduardo Suplicy. A Renda Básica Emergencial consiste em um auxilio no valor de 600 reais à trabalhadores informais, MEI e desempregados a partir dos 18 anos. O valor máximo de auxilio por família será de 1200 reais, ou seja, dois beneficiados por família. A Renda Básica Emergencial trará alivio à população brasileira, porém, esse alivio tem prazo: 3 meses, o tempo que o auxílio será pago as famílias brasileiras. O projeto passou sem dificuldades pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, porém, houve um litigio para sanção do presidente. Bolsonaro enrolou, como sempre, para assinar o projeto e sua bancada tentou toma-lo para si, tentando passar para o brasileiro que o projeto teria sido elaborado pelos congressistas bolsonaristas. As mentiras lavadas da bancada bolsonarista foram logo expostas diante da população brasileira, e os méritos pelo projeto foram para aqueles que os merecem: a oposição.


Porém, a burguesia brasileira não parou de atacar os trabalhadores. Pelo lucro, diversas empresas estão ignorando todas as recomendações de isolamento e colocando a vida de seus trabalhadores em risco. Com apoio do Governo, houve diversas carreatas ao redor do Brasil pelo fim da quarentena. Os patrões saíram em seus carros de luxo e com dizeres de “nós pagamos o seu salário”. Essa escória fascista perdeu a vergonha em esconder os seus desejos sanguinários contra a classe trabalhadora. Se julgam como pilares da sociedade, porém são eles seus parasitas, que edificam suas riquezas sob o suor dos trabalhadores. Ora, sem nós trabalhadores, o que eles, burgueses, produzem?


Isso é o que devemos esperar da burguesia. Para eles, nós não temos o mesmo sangue. Para eles, somos inferiores, mesmo sendo nós os que tudo produzem. Eles sacrificam milhões de famílias para manter a sua ordem de dominação. E que fique claro: eles não vão parar. Eles não vão parar de explorar cada trabalhador necessário para edificar sua riqueza. Eles não vão parar de nos expor à miséria, à fome, à doença. Eles não vão parar, até que paremos eles. É necessário hoje mais do que nunca a organização da classe trabalhadora. A união entre aqueles que passam pelos mesmo perrengues, que derrubam gostas de suor uns aos lados dos outros. A crise é geral, porém triunfaremos sobre ela e quando o ódio de classe for organizado, não terá para onde eles correrem.


*Rafael Lopes é historiador e educador popular da Rede Emancipa.

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