E se fosse o filho da patroa?


Fonte: https://www.metropoles.com/colunas-blogs/anderson-franca/nos-abandonaram-no-elevador-nos-abandonaram-no-pais-e-na-vida


“Miguel, negro, 5 anos. A mãe, Mirtes, negra, tinha ido passear com o cachorro da patroa. Mirtes não tinha como deixar Miguel na escola, por causa da Covid. Mirtes não teve a opção do isolamento. Miguel ficou sob os cuidados da patroa. Miguel foi atrás da mãe. A patroa, Sari, branca, em vez de tirá-lo do elevador, apertou o botão da cobertura. Miguel desceu em outro andar, no nono. Miguel morreu. A patroa pagou 20 mil de fiança e saiu da prisão. A patroa é mulher do prefeito de Tamandaré. Mirtes era funcionária comissionada da prefeitura. Esta é a história do Brasil”.


Sabemos da terrível realidade que assola o Brasil, um país que ao longo de sua história sempre se mostrou submisso as potências mundiais, sendo prejudicado em vários aspectos, principalmente o desenvolvimento social.


O Brasil foi o ultimo país da América do sul a abolir a escravidão, e além do atraso dessa abolição, hoje carregamos as consequências de um atraso na mentalidade dos cidadãos brasileiros, que detêm uma carga histórica escravocrata. É inegável como vidas pretas não importam para o atual sistema e se tornou habitual vermos nos noticiários essas pessoas sendo mortas.


O caso mais atual dessa mentalidade racista matou uma criança de 5 anos de idade. A vida de Miguel custou 20 mil reais, esse foi o valor pago na fiança da culpada pela morte da criança. A revolta não tem fim, perante a mais um caso de uma pessoa preta ser ignorada pela justiça, que se diz imparcial e na teoria trata todos como iguais.



Fonte:https://m.facebook.com/MidiaNINJA/photos/a.164308700393950/1878125785678891/?type=3


“Mirtes Renata e sua mãe eram domésticas na casa de Sarí Corte Real, primeira-dama de Tamandaré, município pernambucano. A pandemia suspendeu o ano letivo. Ela não tinha com quem deixar o filho ( Miguel) nem como faltar ao trabalho. Perdeu o filho enquanto passeava com a cadela da família, porque a escravidão legou a mulheres como ela, em casas grandes contemporâneas, afazeres domésticos, cuidados com pessoas e até com animais. Miguel, um menino negro, teve por guarda a indiferença. E se foi”.


A justiça só funciona com quem é rico e branco. Agora se for pobre e preto, já está sentenciado por sua classe social e sua cor! Mas o questionamento que paira é: e se fosse o filho da patroa? Se fosse ao contrario, será que justiça daria o mesmo tratamento que foi dado pela responsável pela morte de Miguel? O contexto histórico do Brasil nos mostra que a justiça seria efetiva em prol das pessoas ricas, principalmente se elas forem brancas.


As estruturas escravocratas só mudaram de nome, a casa grande e a senzala continuam. Os senhores de escravos agora são denominados como patrões, a carne mais barata continua sendo carne preta. Em mais de 300 anos de escravidão, o racismo ainda é um pensamento cultivado e que está enraizado nas classes dominantes desse país. Mais do que nunca precisamos conscientizar e unificar a classe trabalhadora, para haver mudanças drásticas na mentalidade do cidadão brasileiro. Sem justiça, sem paz.


“Não existe capitalismo sem racismo”.


Robson é historiador e membro da Revista Clio Operária.


Referências:

http://www.lagartixadiaria.com.br/diferencas-e-se-fosse-o-filho-da-patroa/

https://www.revistabula.com/32537-e-se-fosse-a-empregada-a-deixar-o-filho-da-patroa-morrer-estaria-ela-solta/

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