• Clio Operária

Desmistificação da idolatria à cultura dos Estados Unidos

Robson J. Almeida*


O Brasil é um país meramente novo frente àqueles do antigo continente, fomos colonizados por diversas etnias e consequentemente há uma diversificação na cultura. Porém, foram os colonizadores (elite da época) que ditaram os costumes e tradições a serem seguidos. Toda a influencia cultural de idiomas e costumes foram trazidos de fora, como por exemplo: o idioma falado pelos indígenas em terras brasileiras era o tupi, mas com a colonização e apropriação dos portugueses essa originalidade da linguagem foi definhando até o seu esquecimento.


Com passar do tempo, à sociedade brasileira foi construindo sua ‘própria’ identidade, claramente, sem a essência verdadeira, pois tudo que fora construído através dos anos, era sobre o olhar dos colonizadores que ditavam o que era pra ser seguido.


A chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil, trouxe uma terrível consequência para os indígenas, com guerras e doenças que provocaram mortes incalculáveis. Fonte: https://2.bp.blogspot.com/-OMwKUEDlmLY/XC42R_41OFI/AAAAAAAADLQ/R5v_8Tfi44UePG-Amn2xWTzGqNmjNvAQgCLcBGAs/s1600/1KZxLPVvi6TEKG7RNFNpszbw.jpeg

As maiores manifestações culturais foram trazidas pelos franceses ao Brasil no século XVIII. Idioma, musica, moda, os franceses ditavam a chamada Bèlle Époque tropical; esses costumes cosmopolitas duraram até o começo do século XIX.


“Mas a hegemonia da influência francesa não perdurou a partir da década de 50, os Estados Unidos da América passaram a dominar o mundo, com a vitória na Segunda Guerra Mundial e também com o prestígio e glamour do cinema hollywoodiano, tudo culminou para fortalecer o poder americano no mundo e claro, no Brasil”.

Boa parte da elite brasileira copiava esteriótipos trazido de fora, não foi diferente com a Bèlle Époque tropical. Fonte: /commons/thumb/5/57/Rodrigues_Alves_e_família_em_Aparecida.jpg/1024px-Rodrigues_Alves_e_família_em_Aparecida.jpg

A cultura brasileira em sua essência é rica e diversificada, mas nada disso adiantou para a dominação cultural imposta pelos os EUA, com um controle absoluto em setores cruciais para impor sua cultura a sociedade brasileira. O imperialismo cultural norte americano é um processo cirúrgico que nos leva a seguir todos os seus costumes e tradições, nos deixando sem uma base cultural, apenas copiando o que eles (americanos) produzem, sendo assim, ficamos sem uma essência da nossa própria cultura.


“Esse fenômeno é parte de um processo mais amplo de dominação: o imperialismo cultural. O fim da primeira guerra mundial marcou o início da hegemonia econômica americana. O excedente de capital passou a ser exportado, na forma de empréstimos e produtos, que trazem em si uma nova concepção de sociedade: o consumo e o descarte”.


Essa soberania cultural é parte de um processo mental de colonização, onde o modelo a ser seguido é o norte americano. Temos diversos exemplos dessa implantação cultural presente em território brasileiro, está presente nas multinacionais, nas linguagens, nos costumes e tradições, introduzindo um estereotipo de uma identidade a ser seguido.



Os estúdios Disney criaram o Zé Carioca, estereótipo forjado na imagem depreciativa que o americano tinha do brasileiro. Claro que a intenção é de parecer simpático. O personagem, bonachão e trapaceiro, leva vantagem enganando os outros. Em contrapartida, exportamos nossa baiana estilizada. Fonte: https://outraspalavras.net/wp-content/uploads/2019/07/58409574_428224841326816_2971744278422620843_n-1024x762.jpg

Essa idolatria por parte da sociedade brasileira aos EUA é consequência dessa implantação de anos no aspecto sociocultural. É difícil não consumirmos da indústria norte americana, além de ser uma potência no mercado econômico e audiovisual, predomina os meios de comunicação.


Por deter os maiores meios de entretenimento, somos conduzidos desde a infância a consumir e reproduzir hábitos que não pertencem a nossa cultural e realidade social, um exemplo dessa reprodução é a comemoração do halloween (31 de Outubro), tão divulgada e comercializada no Brasil. Diferente da celebração do folclore brasileiro (22 de agosto) que pouco é divulgado e celebrado. Somos direcionados a uma idolatria vazia e sem sentido. Devemos ser críticos a todo esse poderio que nos é imposto, valorizando também a nossa própria cultura, que tanto querem que a sociedade brasileira se esqueça, no intuito da imposição da cultura norte americana.



Ao procurar imagens para esse artigo, não encontrei nenhuma imagem referente a pessoas fantasiadas/comemorando o folclore brasileiro, bem diferente quando a procura foi sobre o halloween. Com isso podemos ver como o marketing é forte e induz a consumirmos e menosprezar nossa própria cultura. Fonte: https://www.infoescola.com/datas-comemorativas/halloween/ https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/06/saci-personagem-do-folclore-brasileiro-ganhara-filme-de-terror.html

Embebido desse contexto do imperialismo cultural por parte dos EUA, podemos analisar com uma critica aprofundada de toda essa subordinação, que países como o Brasil se submetem a exploração. Temos que desmistificar toda essa idolatria rasa, unificar e valorizar a nossa própria cultura, cultivando hábitos que estão inseridos dentro da nossa classe social!


Devemos resgatar a essência deixada pelos primeiros habitantes que viviam em solo brasileiro, os indígenas, com uma vasta cultura e sabedoria, além dos povos que foram escravizados e trazidos do continente africano, que contribuíram muito para a construção e formação sociocultural do Brasil. São esses os povos que devemos valorizar e perpetuar suas culturas.


*historiador, escritor e sempre ávido por transmitir conhecimento.


Referências:


https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/americanismo-influencia-dos-estados-unidos-na-lingua-e-cultura-brasileiras.htm


https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/eua-influencia-cultural-economica-politica.htm


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