• Giovanna Garcia Cobellis

Cordel do Brasil em chamas.



No coração deste país agrário,

A História se mostra contínua.

Colônia, império ou república,

Quase nada se modifica.

“Brasil acima de tudo”

Acima do próprio povo,

O coturno esmagou o peito

De mais um menino do morro.

Subiu uma hashtag, racismo velado.

Pipoca, guarda-chuva, mochila, celular...

O calibre 40 encontrou um corpo preto,

Se “confundiu” antes de matar.

“Deus acima de todos”

Não importa se não é o seu deus.

A laicidade morreu na bancada,

Ela não luta pelo direito teu.

Perseguição pra mãe de santo, pra Lancellotti

Mas seguem impunes os falsos messias.

Edir, Malafaia, Valdomiro, João, Robson...

Pecadores, reis da heresia.

No país das “rachadinhas”,

Só o pobre não tem porção.

Hoje o básico virou luxo

Faltam na mesa a cesta e o pão.

No litoral das praias lotadas,

Não há olhar pra vida de “busão”.

Vivendo à sombra do mal do Covid,

Pra favela não tem água e sabão.

A natureza é selvagem, mas o homem é bestial

Biomas queimados, Amazônia, Cerrado e Pantanal.

ONGs e indígenas fora do caminho,

Grilagem e agricultura alastram-se afinal.

Eles querem o índio na cidade

Sem terra, sem espírito, sem vida.

Mas uma mão de obra barata,

Nessa engrenagem capitalista.

Quando a boiada começar a passar,

De terra e pasto irão se beneficiar

O bolso cheio de “onça-pintada”

E o Pantanal findado a chorar.

A igualdade parece utopia

Nessa falsa democracia,

Onde toma corpo o fascismo

E política pública é meritocracia.

Respira fundo nessa nuvem de fuligem,

Fogo no peito, ar de revolução.

Camaradas, não estais sozinhos,

Somos muitos, somos irmãos!





Giovanna Cobellis é Historiadora, pesquisadora sobre Violência do Estado, História das Mulheres e pós graduanda em História das Religiões pela Universidade Cidade de São Paulo.

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