• Clio Operária

Coluna Pagu: O Partido dos Panteras Negras, pincelada em seu pensamento

William Poiato*



Bem vindo à Coluna Pagu, coluna quinzenal do Clube Pagu para a revista Clio operária. A ideia desta coluna é comentar e auxiliar na leitura do livro do mês do Clube e ainda por cima debater um pouco sobre o Marxismo leninismo.


O livro deste mês é o Antologia: Partido dos Panteras Negras (vol. I) da edições nova cultura. Este livro, em última instância é um compilado de textos do jornal, panfletos e discursos públicos do Partido dos Panteras Negras.


Mas, afinal, quem foram os panteras negras?


Para uma pessoa média, as jaquetas de couro e black power erguidos, além de muita atitude definem os Panteras, bem ao estilo de Beyoncé de Super Bowl de 2016 (https://bit.ly/2uR8SRG) . De certa forma é assim que o inimigo dos panteras negras queriam que eles fossem lembrados.


https://youtu.be/_AtgZRMdlr8


O Partido dos Panteras Negras foi fundado em 1966 e se dissolveu em 1982, se reorganizando em diversos grupos que hoje reivindicam seu legado. O Partido teve uma sagacidade de entender o momento político e a ligação imbricada entre a questão de classe e de raça nos EUA: até 1945 (final da segunda guerra) os negros nos EUA não tinham todos os direitos civis garantidos — para resumir muito, pesquisem sobre as leis Jim Crown, a segregação racial, a doutrina separados mas iguais e a ampla atuação da Ku Klux Klan- enquanto isso no mundo socialista uma ampla campanha antirracista e se alastrava, a exemplo dos cartazes soviéticos, ou dos documentos do CPUSA [1]. Isso, associando guerra fria e a pouca estabilidade interna dos EUA criou o berço fértil para a luta por direitos civis da população afro-norteamericana e os panteras surgem neste bojo.


Em uma análise feroz os panteras detectaram que em sua realidade fraturada na luta de classes, a contradição entre trabalhadores e burgueses no seio do capital mundial que surgia, os EUA, tinha uma segunda característica: Uma profunda cisão de raça. Todos os espaços onde a burguesia se conformava como classe (as confrarias, clubes, uniões patronais, legislativo, executivo, judiciário, etc) ela também se portava como raça dominante, o mesmo não se podia dizer dos trabalhadores, que brancos ou negros convergiam enquanto classe em seus sindicatos, isso quando o própria AFL-CIO não afastava os negros dos sindicatos, imbuídos por ideias de supremacia branca ou sob ordens do governo[2], mas se afastaram na forma social social estabelecida, e aí estava a chave interpretativa, como nos ensina Marx ao analisar o fetiche da mercadoria- do ponto de vista metodológico -, o segredo está na forma [3], o Estado e os Patrões mancomunavam em unidade contra a população negra, transformava seus bairros em verdadeiros cercos policiais e suas vidas não tinham valor acima de uma mercadoria, era muito difícil encontrar nos bairros, igrejas e escolas negras alguma pessoa que não conhecesse de perto um caso de violência policial ou alguém no sistema carcerário propriamente dito- lembra algum lugar hoje?. E isso não podia ser à toa, o controle da massa de trabalhadores negros era parte constitutiva do capitalismo e sua estrutura de poder nos EUA e portanto, pela sua nova centralidade, no mundo. A conclusão é: O capitalismo e o racismo só poderiam ser combatidos em conjunto em uma ampla luta revolucionária, pois o escasso poder de voto conquistado um ano antes (1965) não poderia arrancar o poder político e econômico dos poderosos.


O segundo passo de análise (que historicamente foi simultâneo) foi entender “como se faz uma revolução?” Em uma análise histórica percebe-se que o tipo de organização política capaz de capitanear e ajudar a organizar e liderar uma revolução foi, em toda parte, o Partido, e não qualquer tipo de partido, mas o partido marxista-leninista, ou seja com direção coletiva mas centralizada a partir do centralismo democrático, eles também se apropriaram das formas teóricas e inclusive comunicativas de Mao tse Tung simpatizando com o chamado Maoismo. A organização centralizada permitiu aos Panteras Negras realizações importantes, entre elas se destaca: O ‘Café da manhã grátis para as crianças’; ‘Clinica de saúde grátis’; Os patrulhamentos de auto defesa que monitorava as ações da polícia e Ku Klux Klan, a multiplicação internacional e enraizamento nacional. A perseguição da CIA associada a dificuldade interna criou um problema tremendo aos panteras, diferente dos demais partidos que precisavam renovar os seus quadros os Panteras Negras precisam multiplicar quadros diante dos incansáveis ataques às suas sedes, prisões e assassinato de suas lideranças, o que em pouco mais de uma década enfraquece muito o partido.


Por fim, seria de se esperar que neste último parágrafo existisse um balanço sobre a experiência dos panteras negras e as possibilidades de aproximação desta experiência à nossa realidade e as contribuições e falhas delas para a construção da revolução brasileira, mas lembremos: o texto é para ajudar na leitura do livro, portanto optei por terminar o texto com um breve levantamento de alguns nomes importantes que o conhecimento prévio ajuda a compreender:


Huey Newton


(1942–1989): Revolucionário norte-americano, co-fundador, líder e inspirador dos Panteras Negras, uma organização política negra voltada para a luta pela igualdade racial nos Estados Unidos, fundada em 1966 na Califórnia.Em 22 de agosto de 1989, Huey Newton foi assassinado a tiros em Oakland, Califórnia. A versão policial é de que ele teria sido morto por um traficante de 25 anos, Tyrone Robinson, membro de uma gangue de rua chamada Black Guerrilla Family, com quem se envolverá durante a década de 1980, depois de deixar um ponto de drogas em Lower Bottoms, em West Oakland. Ele foi transformado em ícone da cultura negra americana e de rappers mais combativos, que o homenageiam em diversas músicas e consideram sua morte o resultado de uma conspiração das autoridades contra seu ativismo.[4]


Bobby Seale


(1936-vivo) Robert “Bobby” George Seale (Dallas, 22 de outubro de 1936) é um ex-ativista político do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos e co-fundador do Partido dos Panteras Negras em 1966, na Califórnia.[5]


Elbert Howard


(1938–2018) mais conhecido como Big Man, era um ativista pelos direitos civis americanos , um dos membros fundadores do Partido dos Panteras Negras.[6]


J. Edgar Hoover


John Edgar Hoover (Washington, D.C., 1 de janeiro de 1895Washington, D.C., 2 de maio de 1972), foi um policial norte-americano que durante 38 anos exerceu o cargo como 1º diretor da Federal Bureau of Investigation (FBI), considerada a maior organização policial do mundo e autoridade numero um dos Estados Unidos, investigou pessoalmente os Panteras negras [7].


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Esperamos que tenha gostado!


*William Poiato é Professor de Geografia, coordenador do Cursinho Popular Lima Barreto — Favela Vila Prudente & co-organizador do Clube Pagu.


Conheçam o Clube Pagu — Apoia.se/clubepagu


[1] https://bit.ly/2vBQs7O

[2] https://bit.ly/31gQJZR


[3] https://bit.ly/2OjMoj1

[4] https://bit.ly/36Yafv3


[5] https://bit.ly/2Segh5t


[6] https://nyti.ms/2v382l6


[7] https://bit.ly/2Oq63Ox


Mais textos que podem ajudar ao estudo:


https://www.geledes.org.br/historia-dos-panteras-negras-em-27-fatos-importantes/


http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S2237-101X2015000100359&script=sci_arttext&tlng=pt


https://portalseer.ufba.br/index.php/crh/article/view/18631


http://repositorio.ufu.br/handle/123456789/16483


https://periodicos.ufsc.br/index.php/nelic/article/view/12461


http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-33002008000200009&script=sci_arttext


https://periodicos.unifap.br/index.php/fronteiras/article/download/4524/raquelv5n1.pdf


https://repositorio.uam.es/handle/10486/666852


https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/116888/2/299466.pdf


https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/201026


https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/116888/2/299466.pdf



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