• Clio Operária

Coluna Pagu: Marighella, um leninista

William Poiato*


Bem vindo à Coluna Pagu, coluna quinzenal do Clube Pagu para a revista Clio operária. A ideia desta coluna é comentar e auxiliar na leitura do livro do mês do Clube e ainda por cima debater um pouco sobre o Marxismo leninismo.



O livro de Janeiro foi é o Escritos de Marighella no PCB do Instituto Caio Prado Jr. Este livro, em última instância é um compilado de textos que Marighella redigiu para o Partido Comunista Brasileiro entre 1946 e 1966.


Mas afinal quem foi Marighella?


https://youtu.be/J9Ly5rFQvzE


Carlos Marighella, nasceu em 1911 em Salvador e foi assassinado em em 1969 em São paulo. Ficou conhecido como inimigo n° 1 da ditadura [1], figura pública conhecida por ser poeta, escritor, político, guerrilheiro e grande apreciador de caipirinha!! Um histórico quadro comunista[2].


Marighella, um jovem negro, é alfabetizado aos quatro anos de idade, estudou em colégios da Bahia, onde fez um conhecido poema em resposta a uma questão de física, que já mostrava sua erudição[3], em 1934 muda o rumo de sua vida, abandona o curso de Engenharia Civil na Escola Politécnica da Bahia, entra para o Partido Comunista Brasileiro, se muda para o Rio de Janeiro. Porém, já havia sido preso por escrever poemas contra o interventor Juracy Magalhães[4]. Preso novamente em 1936, mantém-se sob a vigília de Felinto Muller até 1937, solto por falta de julgamento é recapturado em 1939, já na clandestinidade, onde permanece até 1945, na redemocratização.


Fiel ao PCB, em 1946 é eleito deputado federal, perde o mandato com a cassação dos comunistas pelo governo Dutra, volta à clandestinidade e toma posições de direção no partido, já contribui com o jornal rotineiramente. Entre 1953–54 foi à China a convite do PCCh para acompanhar a revolução chinesa de perto, já no Brasil, durante o golpe-civil militar de 1964, foi baleado por membros do DOPS em um cinema no Rio de Janeiro, solto em 1965 rompe com a linha política do PCB e começa a construir a linha de luta guerrilheira expulso definitivamente em 1967, funda a ALN em 1968 e completa sua linha, sistematizando-a em 1969[5], foi assassinado pela equipe repressiva de Fleury no mesmo ano, a organização mantém suas atividades até 1974, sem nunca reconquistar a unidade inicial.


https://youtu.be/BE-RvmxrjIo


Gravou-se na história o Carlos Marighella guerrilheiro e mártir da democracia, é apagado magicamente em seus 33 anos de militância organizada no PCB como um marxista-leninista. Sua figura enquanto militante pela democracia (fato verdadeiro) apaga drasticamente a Marighella socialista e revolucionário. Outro ponto importante é, Carlos é apagado como pensador, organizador e lutador além da clandestinidade da guerrilha: Marighella era um pensador vibrante; admirador de Stalin pensava o Brasil de norte a sul; debateu -claro- a democracia e seus limites; trouxe o problema da Religião e do Estado; era observador da política internacional e crítico do imperialismo; Crítico da polícia nacional; debateu a organização partidária e o papel do jornal; ´prestou homenagens a Prestes, Stalin, URSS …; a importância da luta das mulheres; a questão agrária; a luta popular; etc [6].


Marighella foi dirigente, submetido ao centralismo democrático desde os anos 1940, defendeu o leninismo e a unidade do movimento comunista, na ocasião de início do PCBR assinalou: “ ‘Não saí de um Partidão para entrar num partidinho’”. Mesmo assim, a partir de sua perspectiva sempre fez a crítica que devia ser feita, por exemplo a rica obra: “A crise brasileira(1966)” onde expôs sua discordância a linha geral do partido e teve um frutífero debate com os pensadores de seu tempo. É importante assinalar que ele não assinou a Carta dos Cem e nunca se aproximou dos “dissidentes” fundadores do atual PCdoB[7], apesar de sentir a sua perda ao partido, em 1962[7].


E ai sentiu um gostinho das ideias de Carlos Marighella? Este foi um breve levantamento de sua história, tentando apontar ao menos que o heroico Marighella é mais que um mártir da Democracia e que um símbolo das lutas pelas Liberdades Democráticas. Era, antes de mais nada, um pensador Marxista-Leninista! Esperamos que a película que esta para sair faça jus a sua história e que seu pensamento, além de reverenciado, seja lido!


Revolução no Brasil tem nome!


*William Poiato é Professor de Geografia, coordenador do Cursinho Popular Lima Barreto — Favela Vila Prudente & co-organizador do Clube Pagu



Esperamos que tenha gostado!


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Referências:


[1] https://bit.ly/2SAbyNa

[2] https://bit.ly/2V5dfU6 [3] https://bit.ly/2V0OFDY [4] https://bit.ly/2HtLZ9R [5] https://bit.ly/2SxFUQi

[6] https://bit.ly/2SAEswz [7] https://bit.ly/2HyFoLC


http://www.academia.edu/download/51362147/MINI-MANUAL_DO_GUERRILHEIRO_URBANO-CARLOS_MARIGHELLA-PREFACIO_HLAGE.pdf


http://revista.arquivonacional.gov.br/index.php/revistaacervo/article/view/298


https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7186236


https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/afinal-quem-foi-carlos-marighella/


https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2019/11/50-anos-morte-carlos-marighela/


https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2019/11/vilao-ou-heroi-ha-50-anos-

morria-carlos-marighella-um-dos-personagens-mais-controversos-da-historia-recente-do-brasil-ck2g6qtjr0by201r2apll2lh8.html


https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/25574


http://alcarsul2014.sites.ufsc.br/wp-content/uploads/2014/10/gtmidia_sonora_izani_mustaf%C3%A1.pdf

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