• Clio Operária

Capitalismo, um vírus cruel

Reinaldo Gomes*


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A diarista, sofre angustiada. O vendedor ambulante, se atormenta. O trabalhador autônomo se desespera. O assalariado, teme que seu salario não seja o suficiente. A fome, o risco de faltar o pão de cada dia em sua mesa é o que causa essa angústia, tormenta e desespero nesses trabalhadores. Tudo culpa desse vírus!


O dono do bar da esquina, os micro empresários e até mesmo a classe média enfrentam dificuldades, são constantemente assombrados com a possibilidade de perder tudo. Culpa do isolamento social.


Enquanto isso, a elite burguesa, desfruta da tranquilidade. O dono do banco ou o dono de um mercado imobiliário não teme as consequências desse vírus, eles não fazem parte do grupo de risco. Pelo contrário, eles se beneficiam com a sua proliferação.


Esse vírus é conhecido como Capitalismo. O trabalhador é a sua principal vítima, é o grupo de risco. O trabalhador não disponibiliza da “imunidade” financeira que a elite detém, e nem da “saúde” econômica dos micro empresários. O trabalhador sofre diariamente com os sintomas de uma sociedade infectada pelo Capitalismo. O peso da exploração repousa no peito da classe trabalhadora, dificultando sua respiração, privando lhe do ar da “liberdade”, tornando o cansaço e as dores no corpo seus companheiros.


Os micro empresários e a classe média, com medo dos sintomas que atacam de forma mais agressiva a classe trabalhadora, se mantém em um “ isolamento social" que lhes dá a falsa sensação de segurança, mas sabem que não são imunes, e isso os assombra. Por este motivo são tão hostis com a classe trabalhadora. Não compreendem, que mesmo com sintomas mais leves também estão contaminados, sofrem com a constante dor de cabeça de manter sua posição social. Suspiram constantemente o medo da pobreza.


As máscaras se tornaram então uma forma de proteção. E é isso que fazemos diariamente. Colocamos nossas máscaras, e ignoramos a criança de 4 anos que pede esmola no farol. Fingimos não perceber o morador de rua que passa frio e fome... Mas para que a proteção seja efetiva, colocamos máscaras nos outros também, transformando a criança que pede esmola em “trombadinha" e o morador de rua em “vagabundo”.


A pandemia do covid-19 cristalizou os conflitos e a desigualdade da nossa sociedade. Despertou a necessidade de toneladas de doações de alimentos, e produtos de higiene pessoal. Mas não podemos ignorar que o vendedor ambulante, a diarista e o trabalhador assalariado já convivem com a dificuldade financeira a muito tempo, muito antes da pandemia. Assim como os desempregados, moradores de rua e tantos outros que vivem no extremo da pobreza, que é o sintoma mais agressivo do vírus chamado capitalismo.


*Reinaldo Gomes é estudante de História e editor da Revista Clio Operária.

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