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Bolívia: Democracia e Revolução | Coluna Pagu



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Bem vindo à Coluna Pagu, coluna quinzenal do Clube Pagu para a revista Clio Operária. A ideia desta coluna é comentar e auxiliar na leitura do livro do mês do Clube e ainda por cima debater um pouco sobre o Marxismo leninismo.

O livro de Maio é Bolívia: Democracia e Revolução com a edição da Alameda. Esta leitura de uns dos momentos mais interessantes da história da Bolívia e da América Latina onde os trabalhadores, em especial os mineiros construíram um governo paralelo no que é conhecido como a Comuna de La Paz.


Antes de mais nada, temos de apresentar o autor: Everaldo de Oliveira Andrade. Professor, é graduado em História na Universidade de São Paulo (USP), possui mestrado e doutorado em História Econômica pela mesma universidade, onde desenvolveu pesquisa de pós-doutorado entre 2012-2013. Ministra aulas de História contemporânea no departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (USP), com credenciamento no programa de pós-graduação em História Econômica. Membro da Diretoria da Associação Nacional de História - SP na gestão 2011-2012 e atualmente membro do Conselho Consultivo. Foi coordenador da área de História Contemporânea no período 2015-2016. Tem experiência docente e publicações na área de ensino e pesquisa de História, em História contemporânea, História da América e História econômica. Atualmente é coordenador do programa de pós-graduação em História Econômica da USP.



O livro, muito bem editorado,faz parte da tese de doutorado do autor e conta com doze capítulos, onde conta desde a experiência do golpe de 1964 até a assembleia popular em 1971 passando por temas como a correlação de forças postas em cada momento, a organização das forças de esquerda em cada momento, seus conflitos e posições; o poder operário; As milícias populares; a Universidade única; a Arte e cultura revolucionárias;os motivos do fim da comuna; etc.






Não precisa dar mais que uma pesquisada rápida para saber que a história política moderna da Bolívia nunca foi marcada pela estabilidade, aliás passam hoje por mais um golpe preocupante, por exemplo entre 1964 e 1978 o país passa por onze presidentes. Desde de 1952 o país é marcado pela sua “revolução modernizante” que marcou profundamente a história e cultura da esquerda nacional. Não podemos nos esquecer também que a Bolívia é o país onde Che travou sua última batalha de libertação, demonstração da efervescência da luta de classes no país. Colocaremos em relevo parte da conjuntura de reorganização dos trabalhadores:


Durante a guerra fria uma bem sucedida estratégia geopolítica dos EUA na América Latina impôs diversos regimes de “corte autoritário” no continente, a Bolívia recebe seu golpe no mesmo ano do Brasil, 1964. O Grupo que chega ao poder com a revolução de 1952, o Movimento Nacionalista Revolucionário racha em 1964 e sua ala militar associada a grupos fascistas (FSB) e partidos que representavam frações da burguesia (PRIN,PRA, PDC) e principalmente ao Partido Liberal formam o “Conselho Democrático de Povo” que infligem o golpe no país, amplamente apoiado pelo “Movimento Popular Cristão”. Em 1966 uma eleição manipulada consagra o golpe e o movimento popular passa por um momento crítico, que buscava o avanço de pautas ao mesmo tempo que estava profundamente desarticulado, ao exemplo da COB (Central Obrera Boliviana) principal central sindical do país, que em 1967 buscava se rearticular e apoiava politicamente a intervenção de Guevara no país.


Em mais uma movimentação palaciana outro presidente assume Alfredo Ovando Candia, ao mesmo tempo as forças populares construíram os “territórios Livres” muito inspirado na tradição democrática indígena, nesta nova conjuntura se conseguiu em 1970 uma abertura democrática mínima para a construção de 14° Congresso de Mineiros, colocando novas teses e uma organização central à FSTMB (Federación Sindical de Trabajadores Mineros de Bolivia); a eleição de delegados a partir da base retirou do MNR parte de seu poder desarticulador e apassivados, abrindo espaço para partidos operários, especialmente o POR (Partido Operário Revolucionário - Trotskista) e o PCB (Partido Comunista Boliviano) que dão novo tom, os mineiros se assumem como liderança operária do país, além da luta pelo socialismo. Analisam o movimento por categorías historicamente marxistas, o categoriza como Bonapartista o governo atual, mas carregam resquícios da linha internacional comunista, pesando a burguesia nacional como “desejando a democracia” mas fracassada e que só os operários poderiam construí-la, defendendo inclusive caminhos autogestionários. O importante é a o novo papel da COB, pensada também como a Frente Antimperialista e principal instrumento de luta, o congresso só não avançou mais na prática pois no momento da eleição da direção da FSTMB o MNR conseguiu novamente a maioria, junto do futuro MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária).


Com a FSTMB alavancando a COB a luta operária avança, o nacionalista Torres chega ao poder e os diversos grupos operários tomam a capital em busca da construção do poder operário. O movimento sai derrotado depois de uma experiência de 10 meses, especialmente pelo isolamento de Torres, alguns dizem que pela sua insistência em se sustentar somente nos militares, outros pensam nas posições “esquerdistas” assumidas por grupos dirigentes como o POR, que por “independência de classe” acabou por enfraquecer o governo Torres o desvinculando da COB e até da assembléia, sejam quais forem os motivos da derrota, vale estudar esta que é uma das mais importantes experiências de Poder Popular do continente.


Agora que demos o gostinho damos uma dica: leia o livro e pesquise para se aprofundar nos riquíssimos debates e ações populares do período!

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