• Clio Operária

A importância do professor enquanto agente revolucionário

Maria Luisa Lima*


O ambiente escolar ocupa um papel de extrema importância na formação dos sujeitos enquanto cidadãos, uma vez que esta é a segunda instância de socialização do sujeito, seguida da família, e que propicia a interação da criança com o mundo e assimilação das diferentes normas sociais, além do início da formação de uma noção básica acerca da história do mundo e de seu papel e posição nesse contexto.


Ao analisar os diferentes papeis de uma unica instituição na vida dos sujeitos e sendo ela a escola, o período de permanência destes nessa instituição, a importância do ambiente escolar na compreensão da sociedade em que se vive é um dos papeis mais importante já que reflete diretamente na maneira que a criança e o adolescente enxergam a si e aos outros dentro desse ciclo social e, conseqüentemente, a postura por estes adotada. O professor é então o agente de transformação social capaz de transmitir o conhecimento acerca de tais aspectos que serão refletidos por seus educandos na sociedade. Contudo, o que esperar como reflexo quando a prática do ensino é embasada não pela ciência, mas pelas crenças do educador e pelo senso comum?


Em tempos como os atuais, a atuação do professor principalmente no que se refere ao ensino público, tem sido cada vez mais dificultada devido a precarização do trabalho da categoria e em muito devido à atuação falha de profissionais que não pensam a prática pedagógica como ato revolucionário que é, capaz de emancipar o sujeito através do conhecimento. Infelizmente, não são poucos os profissionais cujo a atuação não condiz com a promoção de uma educação libertadora, a qual trata Paulo Freire.


A ausência de reflexão quanto a própria prática pedagógica, resulta muitas vezes em cenários em que professores são capazes de ensinar aos seus alunos que racismo reverso existe, que o racismo parte do próprio negro, ou mesmo que a mulher deve se dar o respeito. Qual a influência disso na subjetividade das jovens mentes em formação e na postura destes jovens no mundo em que vivem? Apesar de trágico, a presença de profissionais do tipo na educação infanto-juvenil é real e muitas vezes a regra. Ha, entretanto, professores que apesar do cenário posto, se dispõem a nadar contra a maré de retrocesso na qual está imersa a educação, reconhecendo seu papel de mediadores e de agentes ativos no processo educacional, não só ensinado, mas também aprendendo dentro dessa relação que se estabelece e promovendo uma educação libertadora e crítica.


*Maria Luisa Lima é Estudante de Psicologia e pesquisadora sobre violência e questões raciais no Núcleo de Pesquisa em Violência e Psicologia Jurídica (NUPEV - PJ).

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