• marciopauloas96

96 anos de Patrice Lumumba!


Patrice Lumumba, nasceu em 2 de Julho de 1925, com o nome Elias Okitasombo, em Onalua, uma aldeia no Kasai Oriental. De origem católica, recebeu educação básica nas escolas missionárias locais. No início dos anos de 1940, mudou-se para Stanleyville, território hoje conhecido por Kisangani, e depois para Léopoldville, capital do Congo Belga, que hoje chama-se Kinshasa.



Lumumba foi funcionário dos correios, jornalista e diretor de vendas de uma cervejaria. Enquanto isso estudava e fortalecia o seu pensamento anticolonialista. Sempre foi autodidata, carismático e soube reunir suas aspirações pessoais com a luta pela independência congolesa, que havia sido colonizada e ocupada pelos belgas até meados da década de 60. Lutou bravamente até sua morte contra o colonialismo. Alguns de seus discursos podem ser vistos e ouvidos ainda hoje; discursos que atravessam o seu tempo, e as fronteiras de um país amedrontado, com frases como essa: "Nenhum congolês poderá esquecer que [a independência] foi conquistada na luta, uma luta de sangue, fogo e lágrimas".


Suas obras e escritos, inspiraram um continente na luta contra o colonialismo e por uma perspectiva pan-africanista e afrofuturista. Com pensamentos que inspiraram políticos e pensadores como Aimé Césaire, sua obra é parte de uma educação anti colonialista até hoje e da bibliografia africana. Falar de Lumumba não é tarefa fácil, pois muitos dos atores políticos da história da África foram silenciados e, de forma eugenista, foram esquecidos por currículos escolares ao redor do mundo, principalmente no Brasil, onde temos uma educação básica e complementar que vestem as roupas de escafandristas e mergulham nos mares de histórias europeias e norte-americanas e fingem não reconhecer o continente mãe na sua formação.


Lumumba tem uma vida meteórica. Morto aos 35 anos pelos seus algozes, na época pouco se sabia sobre a sua morte, pois países como Bélgica e EUA, estavam envolvidos na sua morte, e assim como o seu rival político, Moise Tshombe. Esse capítulo triste da vida de Lumumba, porém, deixo para outra oportunidade: aqui quero comemorar o nascimento de um dos maiores nomes da luta anticolonial.


Foi eleito primeiro ministro de seu país, em 24 de junho de 1960, ficando no poder por apenas 12 semanas, devido a revoltas e motins comandados por lacaios do governo belga, que não pretendia deixar de explorar o país. Com poucos dias de independência do país, a província de Katanga, conduzida por Moise Tshombe, com o apoio das empresas de exploração de minas do governo belga, partiram para a ofensiva contra o governo recém empossado, que aproximou-se da União Soviética e teve ajuda para combater o levante. Mesmo sob o manto da neutralidade, a aproximação com o bloco socialista foi ponto crucial para que as potências ocidentais, especialmente EUA e Bélgica, tentassem destituir o governo de Lumumba. Tinham a certeza que a única forma de parar Lumumba era com a sua prisão. O líder congolês ainda tentou fugir do país, porém foi capturado semanas após. Mesmo com a denúncia de sua prisão arbitrária para órgãos de proteção, como a ONU, o ato foi ignorado e deixado para que fosse resolvido internamente. 40 anos após o assasinato de Lumumba por um pelotão do exército belga, foi constatada a participação de outros países, como EUA e Reino Unido, além de agentes do governo local em sistemas de retribuição pela exploração do país africano.


Hoje, 2 de Julho, nascia o maior idealista da liberdade do Congo; aquele que pensou em uma sociedade mais justa e que teve sua vida interrompida pelos interesses escusos coloniais. Esse texto teve como objetivo manter a figura de Lumumba como parte da nossa História. Jamais serão esquecidas suas obras e seus discursos, e é função do historiador mostrar que a História não esquece dos seus principais líderes. Eles vivem na nossa memória e eles serão sempre eternos.


Para Lumumba, por me fazer acreditar.


Márcio Paulo é historiador, pós-graduado em Filosofia e colunista da revista Clio Operária.


Bibliografia:


https://www.dw.com/pt-002/patrice-lumumba-e-o-destino-falhado-da-rep%C3%BAblica-democr%C3%A1tica-do-congo/a-43704630

https://www.dw.com/pt-002/patrice-lumumba-foi-assassinado-h%C3%A1-55-anos/a-18982467

https://diplomatique.org.br/lumumba-a-historia-de-um-complo/

https://outraspalavras.net/descolonizacoes/o-legado-anticolonialista-de-patrice-lumumba/

https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/06/08/interna_internacional,1274470/belgica-devolvera-a-rdc-reliquia-do-heroi-da-independencia-lumumba.shtml

Imagem de capa:

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3c/PatriceLumumba1960.jpg


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