• marciopauloas96

É preciso ler e reler!

m tempos de pandemia é necessário ao tempo todo combater falácias e fantasias produzidas por moralistas dubitáveis, através de vídeos postados em perfis religiosos ou que simplesmente colocam um avental e auto intitulam-se “Dr(a);” sem nunca ter escrito uma dissertação para o título; erro bem comum em um Brasil escravocrata e de gentílicos superiores para inferiorizar qualquer um que não faça parte da elite. É necessário verificar todas notícias que são recebidas e transmitidas por nós.


Existem diversos remédios milagrosos para “prevenção” ao Covid-19, remédios esses como a hidroxicloroquina e a ivermectina, ambos sem comprovações ou recomendações de cientistas comprometidos com a ciência, porém amplamente recomendadas por políticos que perdem popularidade e recorrem a qualquer outro meio para sobrepujar a sua popularidade em frangalhos. Dado a explanação inicial é nosso dever, como cidadãos, orientar e verificar as notícias corretas. Hoje com o advento da internet, temos a poucos cliques, agências de checagem para notícias e vídeos, é necessário estarmos vigilantes.


Desde o início da pandemia no Brasil e no mundo, diversos chefes de Estado, negaram, omitiram e caçoaram de um vírus de amplitude mortal e mundial, nos colocando à frente de diversos negacionistas deveras curiosos, terra planistas e antivacinas. Logo, todas as faltas de capacidade cognitiva tomaram forma, desta vez não apenas em grupos aqui ou acolá, e sim nos autos poderes de países como Reino Unido, Brasil, Estados Unidos, que negavam e alguns ainda negam a potencialidade do Covid-19.


Nesse texto quero trazer a discussão o fato do pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus em Cristo, que afirmou em vídeo publicado no Youtube que países como a Somália estariam usando ivermectina como tratamento de prevenção ao Covid-19, o vídeo foi retirado do ar devido a inconsistência e a uma série de inverdades produzida pelo pastor, considerando que a maior parte de seu público sejam pessoas com menos instrução formal, e mais suscetíveis a não verificar em outras fontes a informação, é uma decisão correta e justa devido ao conteúdo escorregadio e nada científico.


Analisando em pesquisas simples sobre as declarações de Silas Malafaia, é possível enxergar diversas agências de checagem que desmentem o conteúdo, não só dele, mas de diversos canais, de que a África tem baixos índices de contaminação devido ao uso de medicamentos de prevenção.


Cabe ressaltar que as imagens que a população leiga tem de países africanos são de miséria, safari, desordem e desgoverno, quando na verdade não é dessa forma; diversos países têm levado a sério a pandemia, países como Angola que antes mesmo do primeiro caso no país, tomou atitudes de distanciamento social e fechamento de comércios, preveniram e previnem muitas mortes e internações que fizeram países do “Primeiro Mundo” entrar em colapso.


A grande questão é que analisando de forma errônea e com pouco conhecimento sobre o continente, se é surpreendido pelos números baixos em comparação com países como o Brasil, porém a questão principal não é a estrutura e sim a consciência que governos como o angolano, tiveram perante a pandemia.


Já na questão da Somália é necessário pontuar que é um dos países mais pobres do continente africano e passa por uma guerra civil a qual os Estados Unidos intervêm de forma questionável. Embora a ivermectina seja amplamente usada em diversos países africanos, apenas tem a função de vermífugo, que é um remédio para tratamento de doenças parasitárias e não respiratórias como o caso do Covid-19. Existe também a versão da ivermectina que serve para uso veterinário e não humano.


Os estudos publicados até aqui nada dizem sobre testes em humanos, apenas In Vitro, que significa testes feitos em laboratórios e não possuem comprovação científica suficiente para recomendar o uso em humanos. Da forma que tem sido passada, pode ser necessário superdoses que não é recomendável em nenhum caso por nenhum especialista ou agência de saúde:

“Em verificação do Comprova publicada no dia 8 de julho, o infectologista Marcelo Carneiro, professor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e integrante da Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de Infecções e Epidemiologia Hospitalar (Abih), reforçou que não está comprovada a eficácia da ivermectina em humanos. "Já está provado que as doses de ivermectina precisam ser extremamente altas para funcionar. Então, em laboratório ela funciona como antiviral. Mas não existem doses para humanos e, se existir, será extremamente tóxica"

O trecho abaixo refere-se ao prefeito de Itajaí-SC, médico pediatra, porém que induz ao erro ao dizer que existe bons resultados clínicos do uso do medicamento no continente africano, República Dominicana, Bolívia, Nova Zelândia e algumas regiões do Brasil; Não há estudos que comprovem a eficácia de tal, nenhuma agência de saúde corroborou a fala do prefeito, como verificado pela agência Aosfatos.org.


O site Clinical Trials, que reúne dados sobre testes de drogas pelo mundo, registra 32 ensaios clínicos que buscam avaliar a eficácia do medicamento, três dos quais no Brasil, mas as conclusões ainda não estão disponíveis em publicações científicas.


A mística em torno da droga começou depois que uma pesquisa liderada pelo Instituto de Biomedicina da Universidade de Monash, na Austrália, mostrou que a ivermectina tinha o potencial de eliminar o Sars-CoV-2 in vitro, ou seja, em laboratório.


Como o Aos Fatos já explicou, esse tipo de teste costuma ser usados para aferir se um medicamento conhecido tem potencial para combater uma nova doença, mas não garante que os efeitos se repetirão em organismos complexos como o corpo humano.


De fora. Os exemplos internacionais citados por Morastoni tampouco corroboram sua defesa da ivermectina Embora seja amplamente usada como vermífugo em países da África, a droga não impediu o avanço da pandemia de Covid-19. Segundo a OMS, em junho os casos da doença mais do que dobraram em 22 países do continente.


Dados do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças do dia 19 de julho mostram que os casos confirmados chegam a 720.622 e as mortes a 15.155.


E os números podem ser maiores, pois há problemas no registros de óbitos. Na Bolívia, a ivermectina foi autorizada em maio pelo Ministério da Saúde para tratar vítimas de Covid-19, mas a situação da pandemia continua crítica. No departamento de La Paz, por exemplo, foi implementado na quinta-feira (16) um isolamento obrigatório de quatro dias para conter o avanço da doença. Segundo a presidente interina Jeanine Áñez, “o pico da pandemia está subindo”. A ivermectina também tem sido usada na República Dominicana sem que a pandemia dê sinais de desaceleração.


No dia 5 de julho, a população foi votar para presidente um dia depois do recorde de contágios por Covid-19. A Sociedade Dominicana de Infectologia manifestou preocupação ainda em maio pelo uso da droga para tratar o novo coronavírus.Austrália e Nova Zelândia apresentaram bom desempenho na minimização de contágios de Covid-19, mas não adotam a ivermectina como protocolo de tratamento oficial.


A Austrália implementou uma quarentena logo que apareceram os primeiros casos no país, mas não recomendou o uso de nenhuma droga — a TGA (Therapeutic Goods Administration) diz na página do Ministério da Saúde que não há tratamento específico para a doença. Entretanto, o órgão concedeu uma liberação provisória para o uso do remdesivir em casos graves.


A Nova Zelândia investiu em testagem em massa e em um isolamento social rígido. Em abril, o Ministério da Saúde publicou nota na qual recomenda que a população não compre nem se trate com ivermectina para conter a Covid-19.


Brasil, Por aqui, defensores da ivermectina têm usado os exemplos de Porto Feliz (SP), Belém (PA) e Amapá, citados também por Morastoni, mas a reportagem não encontrou estudos sistematizados sobre o uso da droga nesses locais. Contatadas, as secretarias de saúde também não indicaram pesquisas que mostrem um efeito positivo do medicamento.

No caso de Porto Feliz, a ivermectina é usada na rede pública, mas os números epidemiológicos da cidade são piores do que a média de outras cidades do mesmo porte, como mostrou o site Questão de Ciência. No Amapá, cidades como a capital Macapá aplicam a droga e o contágio no estado está em queda, mas sem estudos não é possível atribuir a redução ao seu uso.


Além disso, em maio o estado adotou medidas mais rígidas de confinamento — essas, sim, balizadas pela ciência. A distribuição do remédio pela rede pública de Itajaí começou no dia 7 de julho e até o dia 12 havia alcançado ao menos 47 mil pessoas para o tratamento de prevenção, diz a prefeitura. Apesar de a entrega da ivermectina ser realizada por prefeitos de algumas cidades brasileiras, a droga não integra o protocolo do Ministério da Saúde de substâncias permitidas para o tratamento de pacientes com Covid-19.


Aos Fatos tentou entrar em contato com o prefeito Volnei Morastoni, mas não teve retorno.


Outros vídeos circulam na internet com supostos médicos com resultados que nem a própria Organização Mundial da Saúde demonstram. Falam erroneamente que a África tem conseguido diminuir os casos de Covid-19 com o uso de ivermectina em estágios iniciais da doença. Através de mais uma agência de checagem, dessa vez a Lupa transcreveu a fala do médico da seguinte forma:


Desde o início, cientistas ficaram intrigados por que essa incidência tão baixa [de casos de Covid-19] na África. Recentemente cientistas divulgaram que, por uma questão preventiva local, eles distribuíram milhares de doses de ivermectina nos últimos anos, e que, provavelmente, devido à ação desse medicamento, ela gerou esse efeito preventivo na população.


E a agência rebate:


A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há evidências científicas que comprovem que a pandemia da Covid-19 no continente africano esteja sob controle por causa da ivermectina. Tampouco foi possível encontrar qualquer evidência de que “milhares de doses” do remédio estão sendo distribuídas em qualquer um dos cinco países mais populosos do continente (Nigéria, Etiópia, Egito, República Democrática do Congo e Tanzânia).


Dados do Centro de Controle e Prevenção da África, registrados até o dia 5 de agosto, mostram que o continente africano contabiliza ao menos 992.710 casos, sendo 21.617 óbitos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há uma aceleração nos casos de Covid-19 no continente. Entre 28 de julho e 04 de agosto, foram confirmados 95.673 novos casos do novo coronavírus. No mesmo período, houve um aumento de 18% no número de óbitos por Covid-19.


Apesar de o último boletim da OMS, divulgado em 5 de agosto, afirmar que o aumento de casos foi menor na semana de 28 de julho a 04 de agosto, os números devem ser vistos com cautela. A entidade suspeita que a subnotificação da doença é alta no continente, uma vez que o número de testes realizados para a Covid-19 permanece baixo, em termos de referência global.


Alguns países como a República do Congo e Marrocos tiveram que reimplementar restrições parciais de isolamento social devido a um aumento de casos, diz a OMS. Cinco países concentram 80% dos casos de mortes no continente africano: África do Sul, Argélia, Camarões, Nigéria e Quênia.


Em entrevista à Agência Brasil, o pesquisador da Fiocruz Augusto Paulo Silva, responsável pela colaboração com o continente africano e com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), explica que, como no Brasil, a epidemia na África começou pelos grandes centros urbanos que possuem mais conexões internacionais. “Na África as partes mais conectadas são África do Sul e Egito, então é por ali que entrou, para depois começar a ir para outras partes do continente”, afirma.


Ainda é possível ouvir e ver as defesas deste medicamento, com isso. é necessário afastar a ideia de que qualquer um que tenha um jaleco seja “doutor” em algo, tem credibilidade para publicar e disseminar qualquer mentira na internet. É necessário não cair em notícias falsas ou falas tendenciosas de políticos como o Presidente Jair Bolsonaro, que fez o papel de grande negacionista da ciência, e cumpre um charlatanismo barato, assim como outros presidentes.


É acachapante as postagens de líderes de igrejas evangélicas que deturpam a ciência, e tem tomado para si a identidade de curandeiros virtuais, atrapalhando assim os progressos científicos. Temos vacinas de diversos institutos eficazes, feitas e aprovadas em tempo recorde, o Instituto Butantã apesar dos desmontes feitos tanto pelo Governo Temer quanto pelo Governo Bolsonaro e ainda solapados pelo Governo do Estado de João Dória, consegue de maneira implacável a primeira vacina brasileira, que foi negada e caçoada pelo presidente, que agora corre contra o tempo para retomar a sua popularidade.


É necessário e urgente separar pessoas como Silas Malafaia para o seu próprio espectro, o de pastor e não de cientista. Quando ele recomenda o uso do medicamento de forma precoce ou não e indica as quantidades conforme o peso, ele comete um crime, assim como Luciano Hang, dono de uma empresa nacional que mesmo recomendado o uso do medicamento teve Covid-19 e precisou ser hospitalizado. A pandemia não deve ser fruto de disputa política, é uma crise humanitária. Enquanto o governo federal se preocupa com a economia, milhares de pessoas foram mortas no Brasil e no mundo, as vidas foram ceifadas e a economia brasileira dá com os burros na água. É preciso responsabilizar esses crimes, o negacionismo mata.


A ciência é a única forma de nos livrarmos desse genocídio global comandado por negacionistas, é necessário pesquisar, ler, checar. Procure sites confiáveis, procure se aquele que vos fala é realmente alguém gabaritado para tal tema, porque o que mais existe são achismos e quase nenhuma comprovação.



Márcio Paulo é historiador, pós-graduado em Filosofia e graduando em Ciências sociais pela Universidade Cruzeiro do Sul, e colunista da revista Clio Operária.




Bibliografia

https://noticias.uol.com.br/comprova/ultimas-noticias/2020/07/10/e-falso-que-a-africa-tenha-controlado-pandemia-com-ivermectina.htm

https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/06/05/lupa-na-ciencia-ivermectina/

https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/08/06/verificamos-ivermectina-africa-covid/

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https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/video-do-pastor-silas-malafaia-engana-sobre-eficacia-da-ivermectina-contra-covid-19-na-africa/

https://www.brasildefato.com.br/2021/01/16/quem-sao-os-defensores-da-cloroquina-e-ivermectina-que-foram-vitimas-da-covid-19

https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/12/01/verificamos-cloroquina-ivermectina-previnem-covid-19/

https://pebmed.com.br/hidroxicloroquina-e-ivermectina-passam-a-ser-controlados-durante-pandemia/

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2020/07/22/ivermectina-o-que-a-ciencia-diz-sobre-a-nova-cloroquina.htm

https://africacdc.org/covid-19/

zizek, Slavoj, 1949- Primeiro como tragédia, depois como farsa / Slavoj Zizek; tradução Maria Beatriz de Medina. - São Paulo : Boitempo , 201I.


Imagem da capa:

https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/video-do-pastor-silas-malafaia-engana-sobre-eficacia-da-ivermectina-contra-covid-19-na-africa

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