• marciopauloas96

É 2021 na África ?


Devido a pandemia do Covid-19, a África, assim como todos os continentes tiveram vidas ceifadas e sua economia jogada contra as cordas, apesar do continente se sair melhor do que esperava em relação a doença - com uma logística frágil e países à beira do colapso devido a guerras civis, eleições fraudulentas e intervenções de países europeus - o continente entra no novo ano com as expectativas baixas em relação a vacinação: a África ainda não está preparada para a "maior campanha de vacinação de sempre, disse Matshidiso Moeti, da OMS. Os peritos não esperam que a vacinação comece antes de meados de 2021, devido a dificuldades logísticas. ¹”

Se outros continentes já iniciaram a imunização de suas respectivas populações, a África provavelmente dependerá de uma imunização global que pode ser demorada. ó em meados do final do ano passado que a poliomielite foi erradicada do continente que em outros países com logísticas eficazes fora erradicado por volta da década de 50. Isso faz com que a África fique em último plano para uma imunização em massa.

E com os efeitos da crise climática no continente, secas, pragas, gafanhotos, e outros efeitos são sentidos de maneira quase rotineira nos países africanos. Crises que quando não se é protagonista, pouco se é falado ou visto, apenas sites específicos voltados ao clima que possuem notícias sobre os adventos da crise que não afeta somente a África.

A Cimeira Mundial das Nações Unidas sobre o Clima, que é uma das conferências climáticas da ONU, reserva um espaço para a África na voz da ugandense Vanessa Nakate, ambientalista que tem demonstrado preocupação com as altas temperaturas de Uganda.

O ano de 2021 ainda reserva para o continente eleições presidenciais nos países como Uganda, Etiópia, Benim, Somália, Sudão do Sul, Zâmbia, Cabo Verde, Chade e Gâmbia. Se é esperado eleições relativamente tranquilas, apenas na Somália e no Sudão do Sul que muito provavelmente terá conflitos devido à instabilidade social e política vivida.

As dívidas do continente com o G-20, o grupo dos maiores bancos do mundo, também preocupam as economias locais. Mesmo com os alívios trazidos devido a pandemia, a limitação comercial da África e as dificuldades de negociações do comércio interno prejudicam e inflacionam as dívidas contraídas com o passar dos anos, esse ano poderá mostrar o quão alarmante é a situação financeira de países africanos, principalmente aqueles que já possuem problemas políticos e migratórios como a região do Tigray, na Etiópia.

Conflito esse marcado por disputas territoriais e migrações devido às lutas ali travadas. Porém, sobre essa região em especial falaremos em um próximo texto devido a sua particularidade e por ser um conflito étnico que necessita de maiores aprofundamentos.

No primeiro dia desse ano foi programado o lançamento da maior zona de livre comércio do mundo, uma coalizão que envolve 55 países africanos, que somam juntos 1,2 bi de pessoas e um produto interno bruto de 2,5 bilhões de dólares, acordo esse costurado com o auxílio do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Outros acordos precisam ainda ser finalizados, porém, essa zona de livre comércio traz consigo reduções tarifárias de 90% de bens transacionáveis, liberação do comércio e dos serviços e barreiras não tarifárias, isso tudo demonstra uma união dos países africanos nunca antes vista em relação à economia, basicamente é a primeira vez que de forma econômica os países colaboram com seus vizinhos.

Esse acordo tem diversas etapas que serão discutidas e implementadas ao longo dos anos, mas já é de grande valia esse feito, já que poderá ser possível transportar bens de países que não possuem fronteiras terrenas diretamente ligadas e que poderá ser acessada através de um país vizinho, antes era necessário pagar as taxas para realizar o transporte até o destino. Por exemplo: se a Mauritânia negociasse com o Níger para vender algum tipo de bem, era necessário dialogar com o Mali para que fosse feito o transporte sem as taxas, caso contrário, quase sempre o negócio era desfeito devido ao país que está no meio do transporte cobrar as taxas dos dois países dificultando o acordo, já com essa zona livre, será facilitado esse transporte.

Esse texto tem como fundamento demonstrar que o ano novo também surgiu na África mesmo com suas dificuldades, os países ainda têm duras missões. Ao longo do ano pretendo esmiuçar as peculiaridades e os conflitos de cada país, e sim, é 2021 na África!


O sol há de raiar para todos os africanos!



Márcio Paulo é historiador, pós graduado em Filosofia e graduando em Ciências sociais pela Universidade Cruzeiro do Sul, e colunista da revista Clio Operária.







Bibliografia

052019-AGO-a-zona-de-comrcio-livre-continental-africana-ser-decisiva-para-o-continente.pdf

¹ https://www.dw.com/overlay/media/pt-002/%C3%A1frica-em-2021-ano-novo-vida-nova-ou-nem-por-isso/55972873/56131293

https://economia.uol.com.br/noticias/efe/2021/01/01/entra-em-vigor-na-africa-a-maior-zona-de-livre-comercio-do-mundo.htm

https://pt.euronews.com/2021/01/01/africa-cria-zona-de-comercio-livre

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/01/01/zona-de-livre-comercio-continental-africana-entra-em-vigor.ghtml


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